quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Aos nobres visitantes.

Por: Paulo André dos Santos*
Como quem não quer nada. "Sem o quê nem pra quê", despretenciosamente, em pleno janeiro de 2012, o Presidente Obama resolveu agraciar os brasileiros com uma "dádiva". Agora, ficará mais fácil conseguir um visto no passaporte para os brasileiros que anseiam em conhecer a terra do Tio Sam.

Isso soaria um pouco cômico, se não fosse apenas o interesse pelo dinheiro dos turistas, já que, como admitiram, os brasileiros estão entre os que mais gastam em solo americano. Infelizmente, confirmando a afirmação do dito popular, a memória do brasileiro é fraca.

Não por que tenhamos algum problema fisiológico, mas por que se escolhe o esquecimento como fórmula para aliviar os malfeitos sofridos. Diz-se que o brasileiro é um povo alegre, entretanto, talvez, isso não lhe seja da natureza, mas uma alternativa ao sofrimento, por que o brasileiro, definitivamente, sofre muito. Sofre com os impostos, com a corrupção, com a violenta desigualdade social, etc.

Assim, retornando ao assunto da dádiva americana, é incrível constatar tal reviravolta. Saímos da condição de persona non grata em solo americano, para nos tornarmos, em um passe de mágica, nobres visitantes. Parece até profecia, pois como escrito na Bíblia, "Os humilhados serão exaltados". Pensar que por muitos anos estivemos de pires na mão rogando por migalhas. Pensar que muitas vezes fomos humilhados e deportados ao pisar em solo americano. Esse mundo dá voltas mesmo!

Nos últimos anos, os americanos tem assistido inconformados o avanço das economias emergentes. A China, então, tem lhe provocado calafrios. Com uma média de crescimento próxima dos dez por cento ao ano, os chineses estão conquistando o mundo e os americanos estão colocando as "barbas de molho".

A exemplo disso, Brasil, índia e Rússia também estão fazendo bonito. No caso do Brasil, que vem crescendo continuamente, o otimismo é coerente. O Risco Brasil, índice econômico que avalia a credibilidade de um país em honrar os compromissos, nunca esteve tão bom. Tanto que, mesmo exageradamente, no meio de uma crise imobiliária americana, o então Presidente Lula tenha chegado a oferecer dinheiro emprestado aos Estados Unidos.

Em verdade, é um exagero, pois apesar de todo o clima de otimismo perante o cenário da economia brasileira, o país ainda amarga ínumeros problemas sociais. Verdade também que em nenhum outro momento das história tenhamos avançado tanto em indicadores sociais, mas não dá, ainda, para dizer que somos um país desenvolvido. Precisamos avançar e muito.

Enquanto isso, que continuem nos tratando como nobres visitantes, pois, como anuncia a propaganda comercial da Jonnie Walker, em 2012, "o Gigante não está mais adormecido". Embora como dito antes, precisemos avançar muito, é incontestável a valorização brasileira em termos econômicos.

Assim, apesar de estarmos tão longe do Brasil que queremos e de convivermos ainda com algumas sombras do passado, hoje, somos muito mais do que uma promessa. Somos um país rico, que precisa enriquecer o seu povo.

Atrás das grades.




Por: Paulo André dos Santos*

Fevereiro, como costuma cantar Ivete Sangalo, “está no clima”. E fazendo jus à tradição, fevereiro, em Salvador, é mês de muita agitação na cidade. Todos na folia, correndo, dançando e cantando. No entanto, em 2012, para nossa surpresa, o carnaval está acontecendo de outra maneira. As pessoas gritam e correm, mas não atrás do trio. Correm de medo, dos arrastões que tomaram conta da cidade.

E esse arrastão de que vos falo, caro leitor, não é brincadeira. É coisa séria. Grave! Gravíssima. A Polícia Militar baiana entrou em greve e a capital Salvador se encontra entregue aos bandos armados.

Eu disse bandos armados! Por que um punhado de homens da Força Nacional e do Exército Brasileiro, mesmo com toda a boa vontade do mundo, dificilmente, seriam capazes de suprir a ausência de pelo menos dez mil policiais militares amotinados, de “braços cruzados”.

Além disso, como se não bastasse, alguns maus policiais, conforme veiculado pelos meios de comunicações, tem promovido uma verdadeira “onda de terror” na cidade. Não um simples manifesto pela greve, mas uma estridente ação criminosa.

Enquanto isso, cidadãos e cidadãs, jovens, crianças e idosos, encontram-se impedidos de ser e de estar na cidade. Sim, caro leitor, proibidos. Severamente, proibidos. Grupos de policiais, que já tem contribuído para a imagem ruim da Polícia baiana, resolveram não somente “cruzar os braços”, fizeram mais do que isso, deixaram o Povo refém.

Não secretamente, como aqueles filmes americanos, em que sequestradores enviam uma carta à família, pedindo o resgate. Eles interditam as vias públicas, cometem atos de vandalismo, promovem uma insuportável e aterrorizante desordem. Tudo isso, somente para demonstrar o quanto são necessários à sociedade, o quanto merecem serem reconpensados com salários mais dignos.

Na verdade, caro leitor, nesse ponto uma questão que precisa ser mencionada: o foco da análise não deve ser exclusivamente esse. Não somente os policiais sofrem com baixos salários. Médicos da rede pública, professores, etc., se formos analisar, ganham muito menos, levando-se em consideração todas as exigências com qualificação profissional e acadêmica de nível superior.

Ao colocarmos na ponta do lápis, o salário inicial de um professor com doutorado, na rede pública estadual de escolas, por exemplo, provavelmente, não chega a ultrapassar os dois mil e trezentos reais que ganham, inicialmente, os soldados da polícia baiana.

Além disso, sem querer fazer defesa do Governo, quando as pessoas se propõem a encarar um concurso para se tornarem funcionários públicos, elas sabem a faixa salarial que está à espera. A pergunta é: por que se candidatam?

Outra coisa, importante mencionar, é que jamais se deve contestar o direito dos profissionais de pleitearem melhores salários. Isso é indiscutível. Mas a que preço? No caso dos policiais baianos, em greve, amotinados e de braços cruzados, será que seriam capazes de pagar pelo preço que estão impondo à população? Será que pelo menos um desses policiais tem família? Será que seriam capazes de se questionar: e se fosse o meu filho, mais um a somar entre as dezenas de mortos por causa da extrema violência que acomete a cidade? Será que poderiam se questionar sobre isso.

Fatos como esses, tem se repetido, ao longo dos últimos anos, em vários estados. Os policiais tem lutado para sair da situação, muitas vezes, humilhante a que estão sendo submetidos, sem condições de trabalho e sem uma remuneração adequada. Para a nossa tímida perplexidade, leitor, os fatos se repetem em proporções cada vez maiores e com consequências cada vez mais violentas. A que fim chegaremos. Será o Apocalipse?

Os crimes cometidos por policiais em greve, na Bahia podem até serem esquecidos pelo Estado, pelos policiais e pela sociedade. Entretanto, dificilmente, os familiares das pessoas assassinadas irão esquecer. Você esqueceria, caro leitor?

Eu sou até capaz de duvidar. Talvez, você concorde comigo que todos eles precisam de uma punição exemplar, dentro dos limites jurídicos. Assim tais acontecimentos não cairão em moda. Em contrapartida, é bom frisar, o Governo precisa ser mais proeficiente nas políticas de segurança pública. Os cidadãos e cidadãs, contribuintes que sustentam a máquina pública, não podem ser abandonados ao caos.

O interessante é que, nos dias de hoje, lamentavelmente, as pessoas dão uma audiência formidável aos casos de violência, que se noticia na televisão, no rádio e, principalmente, na Internet. Portanto, se os policiais da Bahia quiseram ganhar notória repercussão nacional, conseguiram. E de quebra, como que por um gesto de desagravo, arruinaram a frágil sensação de segurança da população baiana.

Infelizmente, em pleno fevereiro, mês da alegria popular, não podemos cantar, ainda, ao som da Timbalada, caro leitor, “já é Carnaval, cidade. Acorda pra ver. A chuva passou, cidade. O sol brilha aê...”. Neste mês de fevereiro, o sol tem se escondido atrás de núvens nebulosas. Dia e noite a chuva cai na cidade e estamos todos ilhados, neste momento, sem ter para onde ir. Chove atos de vandalismo e a violência transborda na cidade.

Assim, resta-nos um luz no fim do túnel. Políticas públicas de segurança nesses momentos de crise precisam ter um contigência mais adequada. O Povo não pode continuar exposto à tensão entre policiais e o Poder Público. Policiais e representantes do Governo precisam chegar a um denominador comum.

Contudo, apesar de admitir essa hipótese, não quero acreditar sequer na ideia de que atos criminosos cometidos por militares sejam esquecidos. O espírito da lei foi erguido para equilibrar as forças entre os antagonismos dentro da sociedade. A lei deve e, imperiosamente, precisa ser cumprida. Por lei, um policial deve zelar pela lei. Quem comete atos criminosos precisa ir para atrás das grades, nesse caso, não existe excessão.

Então, como diz Caetano Veloso, “a Bahia é linda. Salvador é linda”. O Carnaval em Salvador não tem igual. A Polícia Militar todos os anos, também contribui com a festa. Este ano tem que ser diferente?

domingo, 10 de julho de 2011

Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s): oportunidades e ameaças para o gerenciamento de projetos.


Uma história recente...

Nos dias atuais, em que o tempo e a distância vem ganhando novos sentidos,com o advento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC’s), o mundo tem se tornado um território único, sem fronteiras.

Isso implica, necessariamente, em afirmar que, em nenhum outro período da história, as sociedades foram submetidas a uma dinâmica tão acelerada de inovações, no campo das ciências e das tecnologias. Nunca, na história, o conhecimento fora tão perecível. O que é novidade hoje, em termos de tecnologia, pode se tornar obsoleto em
poucos anos.

A velocidade com que a informação percorre o mundo, atualmente, é assustadora e, possivelmente, impensável, décadas atrás. O tempo, como referido antes, ganha novo sentido. O que levava, décadas atrás, por exemplo, em torno de dias, para que a informação percorresse todo o loop de canais de comunicação, atualmente, leva minutos, ou, até mesmo, segundos, para conquistar o mundo.

Tudo isso, dá-se graças à Internet, uma história recente e explosiva, que provocou profundas transformações nas relações sociais, mundialmente. A Internet teve como berço os projetos das forças militares dos EUA. Depois, passou a ser utilizada como meio de intercâmbio de informações entre os espaços acadêmicos, até que, tempos mais tarde, viesse a fazer parte do cotidiano das pessoas comuns.

Nesse período, os computadores ainda ocupavam prédios inteiros. Apesar disso, eram muito limitados. Foram evoluindo, ao longo das décadas, até os dias de hoje, onde é possível acessar informações da internet, através de computadores cada vez menores.

Nesse sentido, a Internet sofreu inúmeras mudanças, ao longo dos anos. A transmissão das informações que anteriormente somente poderia ser realizada sob a forma de textos, atualmente, permite que grandes volumes de informações sejam enviados ou recebidos por computadores domésticos.

Além disso, devido à evolução da tecnologia de infraestrutura de telecomunicações e da capacidade de armazenamento dos computadores, pode-se acessar a conteúdos pesados na Internet, tais como, vídeos e imagens, sem muita dificuldade. Hoje, produções fílmicas são baixadas, integralmente, em questão de minutos, ou, até mesmo, segundos.

O paradigma das novas tecnologias

Nos últimos cem anos, como exemplificado anteriormente, aconteceram muitos avanços tecnológicos. Sobretudo, na elaboração de dispositivos autômatos. Esse desenvolvimento da ciência no campo ta tecnologia, especialmente, tem provocado substantivas mudanças na dinâmica da sociedade. Foram muitos os segmentos que se destacaram nesse processo. O ramo das telecomunicações foi um dos segmentos que mais progrediu, em termos de desenvolvimento de tecnologias.

Conseguiu a proeza de integrar em aparelhos eletrônicos celulares serviços diversos, tais como televisão, rádio, internet, calculadora, agenda, etc. Na verdade, é até arriscado conceituar esse hibridismo de celular, que outrora estava restrito ao serviço de telefonia móvel.

Em contrapartida, toda essa evolução tecnológica tem servido de centelha para
discussões nos meios acadêmicos sobre o “outro lado da moeda” – o desemprego, a
exclusão social, os danos ambientais, etc. Além disso, junto ao processo de evolução
tecnológica, paradoxalmente, caminham sem destino e sem esperança, um exército de
famintos. Ou seja, ao mesmo tempo em que a humanidade evolui as suas ferramentas
tecnológicas, ela mesma se degenera, regredindo à condição de animalidade.

De que adianta potencializarmos as técnicas de agricultura, por exemplo, se o rol
de miseráveis e desnutridos aumenta devastadoramente. De que adianta, alcançar –
como país – um alto grau de riqueza, à custa da exploração e do empobrecimento da
grande maioria dos menos favorecidos.

Talvez, resida, justamente, nessa questão o paradigma da tecnologia: avançar,
como é típico da sua natureza, mas, sem deixar para trás os destroços da implosão
contínua da sociedade. A lógica de consumir a natureza de maneira voraz, deixando
como legado migalhas de desenvolvimento, precisa mudar.

Infelizmente, algo diferente, está longe de acontecer, já que os estudos em
tecnologia tem sido realizados muito mais por uma necessidade de expansão do capital,
do que, propriamente, por uma razão humanitária.

ERP: uma oportunidade ou um risco para as empresas?

Simultaneamente, a esse processo histórico de popularização dos computadores e da Internet, as empresas, a fim de melhor organizarem os processos, desenvolveram softwares específicos para a administração de recursos.

Mais adiante, foram encontradas formas de integrar esses softwares,denominados sistemas, permitindo a troca de informações entre eles. A idéia foi de criar
um sistema que servisse de enlace de comunicação entre os vários sistemas de uma
empresa. Hoje, chamamos esse sistema de ERP (Enterprise Resource Planning).

O ERP é um sistema macro, capaz de realizar a integração, entre outros
sistemas, que comumente, são chamados de módulos. Dentro do ERP, podem existir
sistemas (ou subsistemas) de ligados a atividades específicas dos departamentos, como
controle de estoque, compras, recursos humanos, etc.

Por possibilitar essa comunicação entre sistemas de diversas áreas de uma
empresa, o ERP é um sistema caríssimo. Pode-se dizer que ele tem um valor, em termos
monetários, que alcança cifras milionárias. É preciso muito dinheiro para que uma
empresa tenha esse sistema.

Outro aspecto, é que o ERP demanda muita organização para ser implantado em
uma empresa, por que ele necessita de pessoas com conhecimento técnico para operá-lo.
Isso requer que a empresa qualifique os empregados, o que exige disponibilidade de
tempo e de dinheiro.

Manejar com as Tecnologias da Informação em uma empresa pode representar
uma vantagem competitiva, ou, um obstáculo a isso. Ao migrar de um sistema para
outro, uma empresa também assume riscos que podem afetar, até mesmo, a sobrevivência no palco do Mercado. Por isso, mudanças dessa natureza precisam ser efetuadas com muito cuidado e de maneira progressiva, para evitar o máximo de transtornos possível.

O ERP, constituindo-se em novidade para uma determinada empresa, representa uma forma de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). Como tal, ferramenta
que é, precisa ser utilizada adequadamente, para não vir a se tornar um peso morto, no portfólio de ferramentas da empresa.

A integração virtual entre os diversos departamentos de uma empresa, se
realizada da maneira adequada, contribui para a redução de custos e para a agilização
dos processos, sejam do nível operacional, tático ou estratégico, da empresa.

A relação ambígua das Tecnologias da Informação e Comunicação com os projetos

Quando surge a necessidade de refletir sobre as ferramentas, requisitos e
restrições a serem politicamente adotados no processo de gerenciamento de projetos,
emergem questionamentos sobre quais ferramentas utilizar, quais os requisitos e
restrições a serem definidos para o plano de comunicações em projetos.

Isso, inegavelmente, tem uma relação direta com a estratégia desenhada para o sucesso do projeto. Nesse sentido, é necessária uma análise preliminar sobre os impactos positivos e negativos que tal tecnologia irá exercer sobre o projeto. Da mesma forma que a priorização de uma tecnologia mais moderna pode desencadear uma série de efeitos negativos para o projeto, a utilização de um modal tecnológico mais arcaico, pode surtir efeitos surpreendentemente, positivos.

A priorização de uma tecnologia envolve considerações sobre diversos fatores,
que precisam ser identificados na análise de preliminar, tais como a relação custobenefício, ou seja, o que será necessário investir para se obter tal tecnologia e qual(is) os ganhos que esse investimento poderá propiciar, assim como, os riscos envolvidos nesse contexto.

Dessa maneira, o uso adequado e contextualizado da tecnologia pode representar
ganhos significativos para os resultados do projeto. Através da tecnologia, bem
empregada, pode-se reduzir riscos, custos, aumentar a qualidade do produto, otimizar
processos e reduzir tempo de entregas etc. O inverso, cabe ratificar, também poderá
revelar um efeito oposto de mesma proporção.

A multa ou a morte?




POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
As autoridades do trânsito dizem que os motociclistas precisam respeitar os limites da própria segurança. Falam que os motociclistas tem que respeitar o limite de velocidade, o uso capacete e os semáforos, etc. No entanto, fica difícil até mesmo para entender que muitos motociclistas desrespeitam a segurança no trânsito, em alguns casos, em prol da segurança pessoal e da moto. Em primeiro lugar, como é do conhecimento de muitos, transitar em determinadas zonas urbanas utilizando o capacete é um sério risco. Em comunidades, sobretudo, as dominadas pelo tráfico de drogas, agir com essa conduta é suicídio. Os traficantes mandam bala mesmo. Além disso, parar na sinaleira, a depender do horário e lugar, é pedir para ser assaltado e perder a moto. Nesses momentos, a aqueles que não estão habituados às leis arbitradas pelo mundo do crime, podem vir ao pensamento um dilema: a multa ou a morte? E essa escolha geralmente não admite erros, é melhor perder dinheiro com multas, ou, até mesmo perder a moto, do que perder a vida.

domingo, 10 de abril de 2011

Náufrago: um filme, um personagem, duas interpretações.




A tudo que pode ser interpretado, a partir de um ponto de vista, é costumaz às mentes que habitam este início de século XXI, negar a existência de outras possibilidades. Talvez, aprisionados pelo egoísmo e pelo egotismo, os indivíduos, que são via de conceito, viceralmente, interconectados entre si, negam a inegável vocação deles para serem sujeitos coletivos, interdependentes, portanto, carentes de convívio social.

Como indivíduos, ao avistarmos uma imagem, a descrevemos de acordo com nossas próprias implicações pessoais, fortemente, influenciada pelo meio social a que pertencemos. Quem vê um filme, o descreve conforme o lugar que ocupa, na proporção dos significados que o atinge e o conduz, ao dialogar com a imagem.

Ao assistir “Náufrago”, filme protagonizado pelo ator hollywoodiano Tom Hanks, pode-se germinar inúmeras idéias, que servirão para discussões sobre a lógica que norteia o cotidiano. Pode-se tirar várias lições de vida dessa dramática produção fílmica. Cada cena pode presentear uma pessoa, a depender do contexto, dialeticamente amplo e específico, em que ela se situa.

A tempestade, o desastre de avião, a ilha, o desespero, a solidão, a perseverança, assim como outros aspectos que refletem momentos do filme, podem ser tão pedagógicos quando as palavras de motivação, evocadas nas cenas iniciais.

Da mesma forma, pode-se dizer que o filme é multi-uso, em termos de abordagens, quanto a valores, atitudes e consequências dessas atitudes. O personagem de Tom Hanks vive momentos que podem servir de exemplos, que ajudam a ilustrar de um lado, o perfil estratégico de uma empresa, que no caso é a FEDEX. Como também, demonstra que um indivíduo, muitas vezes, ao se entregar à filosofia de uma empresa, acaba pagando um preço muito alto, na vida pessoal, social e afetiva.

Um homem dedicado ao propósito de eficiência da empresa, exímio controlador dos prazos de realização dos serviços, perde de vista, por muito tempo, o contato e o vínculo com amigos e com a noiva. Um colecionador de vitórias que sentiu o fel mais longo em que vivera.

Muitas adversidades ele passou, muitos aprendizados colecionou com isso. Foi dado como morto, foi simbolicamente enterrado. Naquela ponto desconhecido do oceano, inventou a vida, para que continuasse a viver. Construiu laços, fez amizades, tudo, para não perder a razão, deu espírito ao um objeto, a bola. A chamou de Wilson ( a sua marca), pintou-lhe os olhos, nariz e boca, com ele (Wilson), o personagem imaginário, solveu a dolorosa solidão. Com ele, reuniu forças para resistir, para lutar em prol de um sonho, voltar pra casa e reatar os laços sociais.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Namíbia, não!...




Por: Paulo André dos Santos.

Uma peça teatral, várias vertentes de um tema, no mínimo, polêmico. Dirigida por Lázaro Ramos, a peça intitulada de “Namíbia, Não!” coloca em cena um assunto que está em alta nos círculos acadêmicos, a questão da “afrobrasilidade”.

Nos últimos anos, as esferas governamentais tem aprovado projetos de inclusão e reparação social, que tem causado frisson quanto a sua real eficácia e objetivos.

Em “Namíbia, não!”, conta-se a história de dois homens de origem afrodescente que se vêem confinados em um apartamento, para não serem presos e deportados, ou melhor, reconduzidos aos países de origem, em cumprimento a uma medida provisória de “reparação social”, promulgada pelo governo brasileiro.

Nas entrelinhas dos discursos e das cenas que se constroem durante o ato teatral, pode-se identificar diversos aspectos, inclusive, históricos da questão da afrodescendência, ou, da “afrobrasilidade”.

Nos meios de comunicação, ao logo dos últimos anos, vários debates tem sido promovidos, a respeito das cotas para afrodescendentes nas universidades públicas brasileiras.

O tema é realmente muito polêmico e provoca divergências, uma vez que os não afrodescendentes tem reclamado, até mesmo, juridicamente, de preconceito e discriminação contra eles. Mas a proposta teve boa adesão das universidades brasileiras.

Muitos defensores da causa afrodescendente no Brasil, veementemente, afirmam que essa medida não é discriminatória, mas, reparatória, pois, cria a possibilidade de amenizar os efeitos do período de escravatura no país, que gerou uma espécie de apartheid social no Brasil.
Os negros, logo após a abolição da escravatura no país, ficaram excluídos de inúmeros direitos civis que possibilitassem quaisquer formas de inserção na sociedade. Na prática, foi como se eles tivessem sido considerados cidadãos de segunda categoria, sem direito à plena cidadania.

Livres dos grilhões da senzala, mas, escravos de uma prisão ainda maior. Assim tem sido o processo de longos anos desde o fim da escravatura. Como exposto na peça teatral, não tinham o direito de estudar, nem de votar, o que os perpetuou-os como escravos. Não a escravidão de outrora, mas, uma nova forma de escravidão.

Uma escravidão que não iria lhes permitir mobilidade social. Uma escravidão que os obrigavam a serem governados por aqueles que não os representam. Nessa escravidão, foram jogados e castigados até muito recentemente.

Em “Namíbia, não!”, o aspecto da identidade afrodescendente é evocado. Ser negro e reconhecer-se negro é uma dicotomia que tem sido construída a partir da negação da identidade cultural desde os períodos escravocratas.

Esse discurso sobre identidade, de certa forma, é um chamamento à comunidade afrodescendente do Brasil para uma reflexão sobre identidade étnica e cultural, (des)construídas historicamente.

RESENHA



REFERÊNCIA: SOMOS MARSHALL (WE ARE MARSHALL). Diretor: McG. Interpretado
Matthew McConaughey. País de origem: EUA. Gênero: Drama. Lançamento (EUA): 2007. Estréia no Brasil: 2008. Estúdio e Distribuidora: Warner. (DVD).



Por: Paulo André dos Santos.

No filme “Somos Marshall” (2008), conta a história de um time de jogadores futebol americano que saiu das ruínas para a glória. Uma equipe praticamente extinta que, a partir da mobilização coletiva, tornou-se competitiva e campeã.

Quando temos visão e conseguimos encontrar significado naquilo que fazemos, o crescimento é uma consequência provável. Quantas vezes as circunstâncias fizeram um sonho nosso cair por terra? Quantas vezes fomos frustrados por um resultado inesperado, que nos fez ficar de luto? Quando isso acontece, muitas vezes, mergulhamos em um abismo do qual nos sentimos frágeis de mais para sair.

Nesse momento, não é raro nos vermos como vítimas, como herança de uma tragédia. Toda a nossa existência antes da tragédia fica esquecida. Não importa se no passado tínhamos sido vitoriosos, a tragédia colocou isso além da nossa viseira.

Assim foi com Marshall. Um time de jogadores universitários que foi vitimado por uma tragédia de avião. O avião caiu e todos os jogadores que nele viajavam morreram. O único que não morreu foi um jogador que não havia viajado, por motivo de contusão. A Universidade Marshall ficou de luto. Acidade de Marshall ficou de luto. Uma nuvem negra a invadiu, apesar de, na verdade, ainda tenha se mantido preservada acesa uma pequena centelha de esperança.

E para que essa centelha crescesse e contagiasse a cidade, foi preciso um homem. Apenas, um homem. Para que na mais densa escuridão acendesse uma faísca de luz. Jack Lenghyel (McConaughey), sensível ao sofrimento da cidade, iniciou um processo de busca de parcerias para a reconstrução de Marshall. Liderou e coordenou um movimento em prol da reconstrução do time Marshall. Em prol, do resgate da autoestima e do orgulho dos cidadãos e cidadãos da cidade.

Nesse sentido, quantas vezes, também, somos resgatados por uma palavra amiga, por um gesto fraterno, que nos impulsiona, que nos dá novo ânimo? Assim foi como Marshall. Foi preciso que alguém assumisse o comando do quartel abandonado. Foi necessário alguém com “olho clínico” para identificar os talentos e, também, o espírito elevado para que incutisse no grupo um propósito,um significado para a busca que se engendrava, para que viessem a se tornar de fato um time.

Foi preciso, sobre tudo, alguém para sacudir a poeira dos escombros e para lembrar que ainda era possível alcançar a glória, na materialização de um sonho coletivo.
Na referida produção fílmica, é possível observar que, através da humildade, é possível alcançar a excelência.

Não é somente com a ajuda de estrelas que se erguem troféus, que se concretiza o
sucesso. Nem sempre é suficiente estar cercado dos melhores recursos. É preciso haver integração, comunhão, comprometimento. Ninguém faz nada sozinho, por mais individualista que seja a atividade.

Você pode até entrar em campo sozinho, mas, dentro do processo é possível encontrar pessoas que,também são fundamentais para que, ao entrar em campo, você possa desenvolver o melhor desempenho possível. No caso de um jogador de futebol, o sucesso dele é muito influenciado pelo desempenho do nutricionista, do preparador físico, do técnico, do presidente do clube, da torcida etc. A motivação dele, muitas vezes, está cercada de fatores que a elevam ou a colocam para baixo.

No filme “Somos Marshall”, o sucesso dos jogadores não foi somente um mérito de quem entrou, diretamente, em campo, mas, de todas as pessoas que fizeram parte desse projeto. O sucesso foi alcançado porque os jogadores, o técnico, o preparador físico, o reitor da Universidade Marshall, a torcida, a camareira, o massagista, enfim, por todos que contribuiram para que a vitória fosse possível, assumiram o compromisso de reacender a chama da esperança e de caminhar em direção
ao sucesso.

É o que acontece, muitas vezes em nossa vida. Sempre tem o técnico, a camareira, o preparador físsico, analogamente falando, que contribuem para que nós tenhamos êxito nas coisas que fazemos na vida. Infelizmente, nem sempre estamos maduros, com o espírito elevado, para reconhecer o valor daquelas pessoas que nos cercam e que contribuem para que possamos realizar um determinado propósito. Nem sempre vemos, nem sempre percebemos, aqueles que estão atrás do camarim, cuidando das coisas do espetáculo.

Em virtude disso, precisamos desenvolver a habilidade de enxergar as coisas de maneira sistemática, globalizada. Temos que nos educar para sermos “Marshall”, para sermos uma equipe coesa, consciente do sonho coletivo e do papel de cada um para que ele aconteça.

Ser “Marshall” significa pensar coletivamente, agir coletivamente, desejar atender anseios coletivos e sentirse realizado com isso. Quando a vitória coletiva chega, você infla o peito e diz bem alto “Eu participei disso. ... Eu estava lá. Eu joguei nesse time”... É nessa hora, que percebemos a grandeza da obra que ajudamos a construir.

O homem pensa, o homem idealiza, mas, nada, absolutamente, nada, se formos investigar minuciosamente, ele realiza sozinho.