sábado, 30 de julho de 2016

A fofura do til


Por: Paulo André dos Santos Quem não gosta do til? Provavelmente, pessoas normais gostam. Apreciam essa coisa do som contido, como se na água o estampido fosse. Pois é, as pessoas gostam do til, mesmo quem não o conheça, mas que ao menos apareça, já seria o bastante. Todos gostam do til, mesmo os que não tem, adotam-no. Talvez, seja dado ao fato dessa sua tácita cumplicidade e conveniência. Seria mera vaidade? Verdade? O problema mesmo é quando o til vira regra para tudo. Olha, tem gente que acha fofo, mas isso não é nada, a não ser, sinal de morfo. Tomara que um dia notem, o que há nele de mais tosco. Ora, ora, O til deixou de ser, enfim, prisioneiro. Libertou ele o poeta romeiro, cantor, prosador e letreiro, nas horas vagas, padeiro, pedreiro e seringueiro.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Entre o flerte e o Prazer


Por: Paulo André dos Santos. Qual a distância entre o flerte e o prazer? Qual a distância entre o desejo e a conquista? Se soubéssemos essa distância, já estaríamos na metade do caminho. Em relação a isso, poderíamos adequar às mais diversas circunstâncias. Fiquemos na analogia de um caso: a relação entre vendedor e cliente. Entretanto, para isso, façamos uso dessa dinâmica interessante que se coloca entre o flerte e o prazer. Pois bem, a ousadia de quem dá o primeiro passo é um componente fundamental para se alcançar o prazer – entenda-se como realização. De fato, no caso da abordagem vendedor–cliente a ousadia - ou a atitude, caso prefira, é de suma importância, mas não é determinante. Então, o que seria determinante para fecharmos uma venda, ou melhor, alcançarmos o prazer? Será que somos reféns da sorte? Não. Embora a sorte seja um vento em nossas velas, para navegar faz-se necessário algum preparo. É preciso ajustar o leme, abrir as velas, pois afinal, de que adianta ventos em um barco com as velas retraídas ou presas? De que adianta a bem aventurança dos ventos se o leme aponta para o lado contrário ao que pretendemos ir? Seria um desperdício de energia e de oportunidades, não é verdade? Diante disso, ao recobrar algumas experiências relacionadas às dinâmicas de vendas, percebi que a qualidade da abordagem é muito importante. É preciso estar sensível à necessidade da clientela. O processo de fechar uma venda pode ser comparado às investidas de alguém que está apaixonado(a) e busca conquistar a sua cara-metade. Muitas vezes, um simples "não" quer dizer "vou pensar". E nessa reflexão, no caso, das vendas, podemos dizer, por experiência, que muitas vezes, esse "vou pensar" é um "quase sim", tudo vai depender da forma em que empreendemos a nossa abordagem. Muitas vezes, por descuido, avançamos o sinal, antes da hora, apelamos, e isso pode significar o fim do namoro – quer dizer, da venda. O vendedor precisa estar atento aos sinais emitidos pelo cliente, tal como em um processo de conquista amorosa. Assim como o "sim", muitas vezes, vem bem depois de um não, uma venda poderá nascer tempos depois de uma negativa do cliente. Acredito que além de fechar uma venda com o cliente, é indispensável saber deixar uma boa impressão. Mais adiante, em virtude de circunstâncias acidentais ou planejadas, o cliente poderá lembrar de você. Nesse momento, provavelmente – se o vendedor tiver deixado uma boa impressão, estará com a faca e o queijo à mão. É importante lembrar que uma venda pode acontecer acidentalmente, em virtude de uma necessidade intempestiva do cliente, mas, sobretudo, diante dos cenários atuais, é inverossímil que isso aconteça. A depender do nível de investimento, fechar uma grande venda irá exigir jogo de cintura e paciência do vendedor, assim como acontece em um processo de conquista amorosa tida como difícil ou improvável. O importante mesmo é sempre estar de braços abertos.

domingo, 3 de abril de 2016

História e fábula

Por: Paulo André.

Diante dos acontecimentos atuais que permeiam a vida politica brasileira, qualquer centelha de reflexão é necessária - é preciso se revestir da sensatez. É indispensável evitar cair no precipício da polarização política.  Para citar um exemplo, lembrei-me de uma cena do filme "O conde de Monte Cristo, muito interessante do ponto de vista da análise histórica. Na cena, o filho, uma espécie de secretário de justiça acusa o próprio pai de estar conspirando e traindo o governo, ao estar se mobilizando para o retorno ao poder de Napoleão Bonaparte. O pai, naquela cena, redarguiu de que a alcunha de traidor é relativa. Por que, caso Napoleão retorne ao poder, quem estivesse colaborando com o aquele governo é que seria, então, o traidor - no caso, o filho. Isso é revelador. Vilão e mocinho, no futuro, no curso da escrita histórica, irá depender de quem foram os vencedores e os vencidos - normalmente, são os vencedores que contam a história. E sendo assim, vilão pode vir a se tornar herói e o herói, caso vencido, será escrito como vilão. A realidade e a história podem ser relativizada. A verdade, depende quem irá escrever a história.  O período ditatorial do Brasil já foi denominado pelos militares de Revolução, hoje prevalece na escrita histórica, a ideia de Golpe Militar, como disse, tudo depende de quem está narrando a história. É um grande desafio, hoje, pensar como irão contar a história dos acontecimentos que estamos vivenciando. História e fábula possuem uma certa similaridade, a diferença é que na fábula é admissível.

sábado, 2 de abril de 2016

Nada a tEmEr ?


POR: PAULO A SANTOS.

Recentemente o STF decidiu autorizar a abertura de processo de impeachment contra Michel Temer, Vice-Presidente da República, principal beneficiário em caso de confirmação do impedimento - impeachment - da Presidente Dilma Rousseff que tramita no Congresso, graças ao "ilibado" Senhor Deputado Federal Eduardo Cunha. Como é do conhecimento do público, em geral - isso não sai das manchetes -, sob o comando de Temer, o principal partido da base governista decidiu se afastar do governo  - como quem dissesse : "Eu não tenho nada com isso". Esse caso me lembra o do comandante europeu que abandonou o transatlântico, em pleno naufrágio, deixando a tripulação à sorte. Moralmente, isso foi deplorável - o mundo condenou isso. O que diríamos agora do PMDB ? É um partido de covardes ? Ou seria de pilantras sanguessugas. O que é isso ? Beberam, comeram e jantaram no Palácio por muitos anos e agora querem sair mascarados de vítimas ? Ora, façam-me um chá, pois é preciso refletir muito sobre isso. Tudo bem, uma vez que, em relação ao Temer, não temos nada a temer - parece brincadeira isso, não? Como noticiado anteriormente, o STF autorizou o start do processo de impedimento - ou impeachment, como queira - do Michel Temer. É, parece que o Temer - o incendiário - tentou dar um empurrão no processo de impedimento da Presidente Dilma, mas, ao que parece, o feitiço se virou contra o maléfico feiticeiro. Agora também foi dançar na prancha e, logo, começarão a se agitar os tubarões. Por outro lado, a preocupação continua. Adivinhe, caro leitor, quem é o próximo na linha de sucessão. Ha Ha... Não contávamos com isso, não é? Eduardo Cunha - o homem bomba. Imaginem ele na Presidência da República - não! É melhor nem imaginar. Por enquanto, não temos nada a temer, mas, esperemos um pouco... Não muito, senão acontece.

sábado, 26 de março de 2016

Olhos famintos.


Muitos querem assistir à execução do infame, desde que não seja da família. Muitos, querem vê-lo sofrer, chorar, sangrar, desde que as lágrimas e o sangue não sejam de quem as deseja. Assim é a nossa forma de conduzir as divergências, eliminar o ícone de nossa tragédia. O paternalismo nos conduz. Os que tem voz, gritam pelos seus - e em voz sussurante dizem: Que se dane o resto. E nesse caso, o resto é simplesmente a maioria.  Não importa se existe um mundo de carências e privações do outro lado.  Não importa, se lá, do outro lado, a fome , a seca, a precariedade da vida tem dado o tom da música, há muitos anos. Atualmente,  o nosso país vive um momento complexo e decisivo. Podem surgir graves problemas dessa crise - ou, quem sabe, poderemos nos reinventar, criar novas perspectivas e oportunidades. A crise é assim: pode  nos servir como trampolim, bem como, de frágil corda que nos levará para o abismo. Tudo irá depender da forma como encaramos isso. Os casos de corrupção e a recessão econômica mundial, tem sido o argumento para a grande fissura se abriu no país. De um lado,  segmentos da população abraçados pelo governo, do outro, os que ficaram revoltosos por não terem sido abraçados também. E por isso, querem a cabeça do rei em uma bandeja de prata. Não irão descansar antes de cumprir esse objetivo - custe o que custar. Eles estão dispostos a incendiar o palácio  - se for preciso. No entanto, como diz  um velho clichê, "Todos querem mudar o mundo, mas ninguém quer mudar a si mesmo". Quase todo mundo fala de corrupção, das pedaladas do governo, disso é fácil falar - é bom, é pertinente falar. Nesse momento, os que se intitulam arautos da moral e da justiça, avançam rumo ao fundamentalismo político. Difícil mesmo é falar do "gato de energia",  da "propina" que se paga a escola para  aprovar o filho/a filha, da fuga no trânsito para  não ser pego na blitz, do desrespeito aos semáforos, do desrespeito pelas implicações pessoais dos vizinhos ao aumentar o volume do rádio, da fraude na declaração de imposto de renda, do desrespeito à fila, em quaisquer circunstâncias, etc. Ficaria eternamente descrevendo aqui os símbolos de nosso espírito republicano  - mas acho que aqui já podemos ter uma noção. O maior problema não reside produzir bons políticos. O grande problema, para nós é produzir, em larga escala, bons cidadãos. Uma vez que tenhamos uma sociedade cidadã, produzir bons políticos não exigirá significativos esforços. Lembro que, durante a Copa do Mundo de 2014, no país - não lembro o jogo, os japoneses nos deram uma aula memorável do que é civilidade/ cidadania. Após o jogo, eles começaram a limpar as arquibancadas do estádio. Eu, particularmente, como brasileiro, senti-me envergonhado - foi preciso um estrangeiro para nos dar essa lição. Infelizmente, temos muito para aprender. Precisamos de um rumo que aponte para um novo momento virtuoso em nossa sociedade.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

E se fosse seu filho?

Por: Paulo André dos Santos1.
Será que todos fariam o mesmo que Abraão? Seria alguém capaz de sacrificar o próprio filho? Lembremos, do caso do índio Galdino, que foi vítima de cinco jovens estudantes, no dia 20 de abril de 1997. Um aspecto que mereceu atenção, na época – e por que não dizer, hoje -, foi a entrevista de um dos pais, quando indagado pelo repórter sobre o fato do filho ter participado do crime, queimando vivo o índio, que dormia em um terminal de ônibus. Para a surpresa de todos, ele respondeu que se tratavam, apenas, de crianças. Será que, para o pai, o ocorrido não era capaz de destituir o filho da “aura da inocência”, embora tenha sido um crime com requintes de crueldade? Mas, e se fosse você, caro leitor, o que faria? Entregaria seu filho às autoridades, a fim de que respondesse pela barbárie que cometeu? Seria capaz de entregá-lo, mesmo sabendo que o sistema carcerário brasileiro é muito mais uma escola do crime do que um centro de recuperação social? Seria capaz de entregá-lo, mesmo sabendo que boa parte dos presos são submetidos a situação degradante? É possivelmente pensando nisso, que o pai de um dos acusados tenha causado tanto estranhamento à sociedade, ao afirmar que se tratavam, apenas, de crianças. Assim, ao contrário de Abraão, que deu o próprio filho em sacrifício, é difícil aceitar a ideia de que pais, que tenham em si a consciência da dimensão do sistema penal brasileiro, fossem entregar os filhos para as autoridades. Por outro lado, e se fosse o inverso? Se fossem os índios, os assassinos? É certo que seriam caçados, presos e demonizados, sem nenhum constrangimento. Seriam, sem dúvida, barbarizados. Esse caso nos serve de reflexão, sobre uma problemática de nossa sociedade: a falta de isonomia. Falta isenção no julgamento social. Falta, sobretudo, uma adesão sincera às regras do jogo. Na vida social, quais seriam tais regras? De fato, são as normas sociais, em especial, aquelas cristalizadas no espírito das leis. A nossa Carta Magna sentencia que todos são iguais perante a lei, mas, na prática, não é o que acontece. E há uma distorção nisso, pois, mesmo que todos fossem iguais perante a lei, isso os tornaria iguais de fato? É tratar com igualdade os diferentes. Ou será que deveria haver uma proporção que ajustasse o tratamento de acordo com o grau de diferença? Na verdade, justo seria se a pena fosse multiplicada, à medida em que fossem comprovados o grau de esclarecimento de cada um dos indivíduos. Afinal, não é assim que se dá no meio familiar? Uma criança de dois anos deve ser cobrada da mesma maneira que uma criança de sete anos? Um estagiário deve ser cobrado da mesma forma que um profissional experiente? Então, diante disso, como pode uma pessoa que não teve uma oportunidade viável de acesso, por exemplo, à educação formal ser, em geral, mais facilmente enquadrada criminalmente do que alguém com nível de educação superior? Não seria isto uma distorção? Não seria cobrar mais a quem menos tem a oferecer? Sendo assim, não ficaria demonstradam, desse modo, a institucionalização da injustiça social? Será esta a “sacralização” do mais forte em detrimento da demonização do mais fraco? Caso seja realmente, como poderíamos observar isto nas relações de trabalho? É possível uma analogia com a vida política no país? Provavelmente. Nesse sentido, então, realizemos uma analogia dessa relação de paternidade com o campo de política. Retornemos para um ponto mais próximo do objeto. Podemos tomar como exemplo, o fato protagonista atual – o embate político, social e econômico do momento, traduzido na mobilização de diversos segmentos da sociedade organizada, a fim de evitar o que temem ser a pulverização dos direitos trabalhistas previstos em lei. Assim, travam-se as mais ferrenhas lutas, constroem-se factóides, discursos, depoimentos e pesquisas, para conferir legitimidade às ações a serem implementadas. Em outras palavras, pretende-se a “flexibilização das relações de trabalho”, no intuito de ampliar o leque de atuação para os serviços terceirizados, no Brasil. Nesse momento, surgem inúmeros gurus de plantão. Alguns dizem que a proposta irá gerar mais empregos, oxigenar as empresas e fortalecer a economia nacional. Já outros, vão na direção contrária, afirmam que não necessariamente haverá acréscimo de postos de trabalho e que, provavelmente, os trabalhadores ficariam mais vulneráveis. Ainda existem aqueles que buscam um meio-termo para a questão, dizendo que é necessário regulamentar o segmento das empresas prestadoras de serviços terceirizados, embora não nos termos defendidos no texto original do Projeto de Lei. De um lado, a pressão social é muito grande sobre os parlamentares. Do outro, existem as empresas, sobretudo, as grandes corporações, que certamente estão interessadas na aprovação do Projeto de Lei original. De acordo com as centrais sindicais, o projeto, tal como está configurado, somente favorece as empresas, pois em médio prazo poderia afetar as relações de trabalho, promovendo a sua precarização e comprometendo o poder aquisitivo dos trabalhadores, o que, enfim, fragilizaria a economia nacional. Sendo assim, fazendo uma alusão à atitude paterna de Abraão, supondo-se que o projeto de terceirização seja aprovado pelo Senado, poderíamos elaborar a seguinte pergunta: será que essa grande investida contra os trabalhadores e contra economia nacional, terá a aprovação da Presidente da Republica? Será que desta vez, a exemplo de Abraão, o pai irá entregar o filho, em uma bandeja, para ser sacrificado? Será que o mais forte será “sacralizado” e o mais fraco “demonizado”? Ou será, que, surpreendentemente, irá protegê-los nos braços, uma vez que são apenas crianças? Fica a pergunta a ti, caro leitor: Se fosse seu filho, o que faria?

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Perfume de Mulher

Por: Paulo André dos Santos.
Dirigido por Martin Brest e estrelado por Al Pacino, a produção cinematográfica “Perfume de mulher” (1992), tem como enredo a história de um ex-militar aposentado e o jovem estudante Cris O’Donnell, contratado pela filha do ancião, para auxiliá-lo nas tarefas diárias, pois ela necessitava viajar e o pai estava cego. De início, o ex-militar manifestara uma relativa resistência em relação ao jovem rapaz. Entretanto, à medida em que a trama vai se desencadeando, os dois vão desenvolvendo uma relação mútua de respeito e de admiração. Em uma das cenas emblemáticas do filme, quando estavam num pomposo restaurante, o ex-militar aposentado convida uma bela jovem para dançar tango, dando ao garoto e aos demais presentes, uma verdadeira lição de como se portar diante de uma mulher. Logo após o final de semana em Nova Iorque, o jovem estudante retornara à universidade, para prosseguir com os estudos. Desafortunadamente, assim que chegara ao campus da instituição, Cris se deparou com uma situação muito desconfortável. Ele flagrou dois colegas de aula sabotando o carro do diretor da entidade. Imediatamente, em virtude de ter sido avistado muito próximo do local do incidente, Cris foi intimado a delatar os colegas, em reunião extraordinária, convocada pelo diretor junto ao Conselho da universidade. Na reunião, como o jovem Cris não concretizou a delação, a fim de não entregar os colegas de aula, o diretor da entidade resolveu expulsar o rapaz da instituição. E nesse momento, no ponto de máxima dramaticidade do filme, o ex-militar interferiu em defesa do jovem amigo. O velho militar da reserva fez um sincero discurso sobre importância da ética para a formação de grandes homens. E tão proeminente foi a oratória dele, que a convicção da platéia, a respeito da culpa de Cris, abalou-se. Após isso, o diretor da universidade viu sua decisão de expulsar o estudante ser revogada pelo conselho acadêmico, em pleno auditório, diante dos pais e dos alunos que participavam da reunião. Nesse sentido, de maneira semelhante à história do filme, a questão da ética nos é apresentada em inúmeras situações de nossas vidas cotidianas. Algumas vezes, vemo-nos encurralados por um dilema moral. Nesses momentos, somos obrigados a assumir uma posição e a tomar decisões, que, muitas vezes, dilaceram-nos por dentro, ferindo nossos princípios e valores morais mais intrínsecos. Além disso, existe ainda a possibilidade de arcar com as consequências da repressão e da censura de pessoas, que participam como interessadas no desfecho do caso. Por outro lado, caso contrário, quando nos lançamos ao anonimato, preservando intacto nossos princípios e valores, não nos sentimos inteiramente realizado, uma vez que há incômodo desconforto provocado pelo dilema moral, mas, nesse momento, ainda estaremos com a consciência “limpa”. Para se ter uma ideia do quanto é difícil uma solução para um dilema ético-moral, suponha-se que Cris houvesse delatado os colegas, o que aconteceria? Talvez, ainda assim, fosse expulso da instituição, pois, mesmo que o diretor cumprisse a palavra, como ficaria a consciência de Cris? Como ficaria a sua imagem diante dos outros alunos? Será que Cris suportaria a carga da pressão realizada pelos outros alunos? Assim, provavelmente, ele mesmo se “expulsaria”. Uma decisão como essa não se encerra em si, mas, existem ecos, consequências e implicações pessoais, que podem ser suportáveis ou não, mas, são, de toda forma, duras e podem repercutir por toda uma vida.