sábado, 18 de setembro de 2010

As eleições e a culinária.



Por: Paulo André dos Santos
Para quem não captou o significado de cidadania, o momento sublime dessa condição está no pleito eleitoral. Participar das eleições votando pode ser comparado ao processo de preparo de um quitute pela cozinheira. Não basta colocá-lo no fogão e acender o fogo. Para que o quitute fique realmente pronto, é preciso mais do que isso. É necessário acompanhar o seu cozimento, regulando a temperatura e o tempo ideal, de modo que ele tenha o resultado esperado. Ou seja, espera-se que, se bem preparado, ele se torne um alimento saudável e saboroso. Analogamente, esse processo pode ser identificado na participação dos eleitores no processo eletivo dos representantes políticos. É preciso cumprir o dever de casa antes e depois de votar em um candidato a cargo político. Inicialmente, é preciso analisar a conjuntura das eleições, estudando os partidos políticos e os candidatos, dentro do contexto histórico e os seus discursos no momento pré eleições. Deve ser verificado que interesses os candidatos defendem. Isso é possível de ser feito através do acompanhamento do modus operandi, a respeito dos princípios legais e éticos. Em outras palavras, faz-se necessário, como cidadãos, fiscalizar as ações dos candidatos eleitos e identificar se estão cumprindo as promessas de campanha. Afinal, o resultado obtido ao longo de uma gestão governamental tem certa dependência do grau de amadurecimento político dos cidadãos. Se esse amadurecimento não está consolidado, as promessas de campanha estão propensas a sumir tão rápido quanto fumaça. Por outro lado, se em uma sociedade está consolidada no povo o sentido pleno do que é cidadania, o manjar estará pronto e a mesa estará farta e diversificada. O direito é sempre resultado das lutas estabelecidas no exercício da cidadania. Ele produz a cidadania e por ela é produzido. Os deveres representam o outro lado da balança. São a contrapartida que devemos oferecer para que os direitos de outras pessoas sejam viabilizados. Como deve existir no âmbito da culinária, para que a harmonia de ingredientes gere algo aprazível de saborear, assim também deve ser o exercício da cidadania, um equilíbrio constante entre direitos e deveres.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Linha de fogo.



Por: Paulo André dos Santos.

Dois pólos antagonistas, uma silenciosa guerra, um observador solitário. Ele não está muito longe do confronto. Na verdade, encontra-se mergulhado no confronto, dentro dele, no entanto, inerte e perplexo. Em estado de choque, somente observa os fatos, sem querer acreditar no que se apresenta a sua frente, não sabe o que fazer. Não sabe se corre, se grita, ou, se se esconde. Na linha de fogo, a vida dele é o que está em jogo, por isso, uma decisão precipitada por custar muito. As facções criminosas rivais trocavam tiros entre si, as pessoas corriam, fechavam os estabelecimentos comerciais e trancavam as casas. E o observador, ainda ali, imóvel, um alvo em potencial. Para não ser atingido, precisava sair dali rapidamente. Não havia aonde se abrigar por perto. Sobrava-lhe uma única alternativa: o esgoto. Estava bem em cima de uma tampa de bueiro. Ao levantar a tampa do bueiro, veio-lhe uma rápida reflexão, pensou nas circunstâncias. Curiosamente, justo no momento em que a realidade parece-se com o inferno, a única solução possível que lhe resta é o esgoto, onde geralmente, abrigam-se ratos e baratas. Por que a solução veio ironicamente de um local tão repugnante? E como não existia outras alternativas, não havia muito o que pensar. Dessa maneira, desceu rapidamente. Ainda dois dias depois do ocorrido, analisando a situação, recôndito em casa, o observador conclui que momento crítico vivenciado lhe rendeu um aprendizado: a solução para um problema, algumas vezes, virá do local menos provável. O convencional, nesse sentido, em uma situação de emergência, pode dar lugar à criatividade e ao improviso. Desse modo, até mesmo no sólo hostil podem frutificar belas idéias, seja pela emotiva intuição, seja pelo raciocínio lógico.

sábado, 4 de setembro de 2010

Capitalismo e intolerância.



Por: Paulo André dos Santos.

O capitalismo por essência é intolerante as demandas humanas. Competição e vitória acabam resultando em uma tragédia silenciada. Em um rol de mil pessoas, por exemplo, numa competição, somente algumas dezenas saem estasiados com a vitória. São eles os únicos que irão aparecer nas fotos. A grande imensa maioria são condenados à derrota e ao esquecimento. Como não se pode entender por injusto que o sorriso de alguns custa a frustração de uma grande quantidade de pessoas?

O espírito do capitalismo é a luta, a superação de outros seres humanos. Pior, não é, necessariamente, uma escolha, mas, muito mais, uma compulsória necessidade de sobrevivência. Que se nega a vencer é vencido por WO. Além disso, as condições de competitividade são muito desiguais, as oportunidades são desiguais. A intolerância de um Sistema alimenta e patrocina a intolerância entre as pessoas que estão subjugadas a esse Sistema.

Individualismo e consumismo, como pilares do capitalismo revelam-se como um câncer para a saúde das relações humanas. Os que tem capital para satisfazer os desejos de consumo não querem repartir com os que não tem. Os que não tem, condenados a consumir imagens pela Tv, sente-se humilhados, esquecidos, sem-valor.

O valor para os que estão inseridos na cultura do capitalismo é medido pelo que se tem e, infelizmente, não pelo que se é enquanto ser humano. Assim, dentre os excluídos surgem aqueles que não aceitam a condição de não ser, por que, para eles, não ter é essencialmente, não ser. Muitos deles, sem oportunidades de acesso ao "céu" (o mundo do trabalho e do dinheiro), acabam aceitando ser operários do crime, pois, muitas vezes, não conseguem enxergar outra opção, outra alternativa que lhes permitam sair do "inferno" em que se encontram (sem renda, sem comida, sem saneamento básico etc.).

Sabem muitas vezes, que esse é um caminho sem volta, mas, optam por ele ao invés de permanecerem onde estão: na "caldeira do diabo!"

O lugar em que se encontram, muitas vezes, não lhes permitem contemplar o "sol" e, desse modo, imersos nas "trevas", acabam se apoiando em qualquer coisa em que conseguirem encontrar à frente.

Assim, uma escolha, nesse contexto, não reflete, necessariamente, uma escolha.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O banquete do faminto.




De pés atados,
Não verás o mar!

Andando pela cidade,
Entre cidadãos apressados,
Correndo, apertados,
Atenção é raridade.

Custa caro cinema,
Diário da vida real,
O ingresso é pão, é merenda,
Boa vontade alheia,
De alguém que se afetou com a cena,
Do mísero mendigo Sobral.

E das sobras ele vive,
De um resto escarnecido,
Do prato sujo do restaurante,
Que mais parece banquete servido.

Autor: Paulo André dos Santos.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Para o dia nascer feliz.

Por: Paulo André dos Santos.
Curiosamente, foi justo na escuridão de uma fria noite, que a assimilação de uma série de eventos me permitiu enxergar a grandeza da luz introspecta mergulhada na essência de cada um de nós. Somos como o sol: podemos brilhar e trazer luz e vida sobre nós. Também, possuímos dessa energia o suficiente para iluminar o ambiente, contaminando positivamente outras pessoas. A luz a que me refiro é o ponto culminante de nosso processo de autodescoberta. Ou seja, a luz é o que viabiliza a felicidade, a autorealização. A luz é o conhecimento de si mesmo, um requisito primeiro elegido por Sócrates na antiguidade para alcançarmos a sabedoria. Como ele próprio enunciou, “Conhece-te a ti mesmo”. E toda vez que nos descobrimos, aprendemos, conforme Shakespeare , que a vida possui um inestimável valor. E, por isso, nós representamos um grande valor diante da vida. Muitas vezes, levamos longos anos para descobrir isso. Aliás, há pessoas que passam literalmente pela vida sem descobrir. É verdade. A vida passa muito depressa quando ficamos aprisionados no tempo, seja nos fatos do passado, ou, tentando alcançar com as mãos um imaginário futuro. O viver, no sentido verbal da palavra, na vida real, implica em não negligenciar a conjugação do tempo presente, pois, sem ele não se constrói um bom passado, nem tampouco se firma as esperanças e os planos em relação ao futuro. O que mais importa é o aqui e o agora! Carpe diem . Traduzindo...aproveite o dia. Não se esqueça de que o tempo passa mais rápido do que você percebe. Eu fui lembrado disso por Mr. Mascarenhas . Com ele aprendi que “nenhuma crença que alguém tenha sobre você pode ser maior (e mais forte) do que a crença que você tem sobre si mesmo”. Afinal, quem acreditará em você se você próprio não se valoriza. Ainda que o céu do dia esteja completamente preenchido pelo cinzento nublado, o sol sempre estará brilhando. Nós somos únicos!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Crônicas da Copa.



PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
A cada quatro anos, o mundo gira em torno do futebol. Cerca de trinta e dois países entram na disputa pela tão sonhada taça de campeão mundial. Em casa, milhões de patriotas torcedores roem as unhas, na expectativa de que seu país faça uma boa campanha – o futebol tem seus encantos. Aliás, nenhum esporte, talvez, produza tanta audiência nas transmissões televisivas. Realmente, um evento esportivo da magnitude da Copa do Mundo de Futebol é bastante rentável. Muito dinheiro escorrega pelo duto do mercado futebolístico. Cifras astronômicas são geradas a partir da publicidade singular da Copa. Grandes empresas multinacionais investem vultosos recursos, a fim de potencializar as vendas. E vendem muito, senão não gastariam tanto com publicidade. A Copa é interessante enquanto evento esportivo, mas, mais do que isso, é muito importante, também, como “mina de ouro”, pois, oferece às empresas a oportunidade de ampliar substancialmente os seus lucros. Com tanto dinheiro rolando pelos bastidores, a suspeita sobre manipulações de resultados é presente nos segmentos mais críticos da sociedade. Aliás, muitos, já céticos, preferem a indiferença diante do referido evento, dada a convicção sobre o seu cunho ideológico. Referem-se à Copa como um “circo” montado para as massas, a fim de desocultar a realidade e lhes proporcionar uma ilusória e momentânea esperança. Por outro lado, não dá para negar a Beleza do futebol. Os lances ontológicos, os dribles desconcertantes, as defesas milagrosas, fazem do futebol o esporte mais popular do mundo. Sendo, na Copa do Mundo, um motivo para se colocar em cena o sentimento nacional, refletindo, de certa forma, os anseios de cada povo. Durante a Copa do mundo, o mundo gira em torno da bola. Na verdade, a bola é o mundo, a razão existencial de todos estarem a acompanhá-la: os jogadores, os torcedores no estádio, os telespectadores etc., todos, enfim, envolvidos emocionalmente na competição, gritando, reclamando, sugerindo medidas necessárias ao sucesso de sua Seleção. Nesse meandro, um ganha, outros perdem, mas, continua ainda acesa a chama da esperança para a próxima edição do evento. Após quatro longos anos, tudo começa de novo, ressurge a esperança, da própria realidade, a grande maioria refugia-se nela para que possa existir, pelo menos, como povo. A comunhão e o entusiasmo dos torcedores volta a empurrar a Seleção rumo às vitórias.

O charlatão, o vigarista e o estelionatário.



Por: Paulo André dos Santos.
Desde que o mundo é mundo sempre existiram pessoas desprovidas de qualquer dignidade, que ganham a vida explorando a ingenuidade e as crenças da população. Hoje, é preciso tomar muito cuidado com pessoas desse tipo. Charlatão, vigarista, estelionatário,... independente do nome que se dê, milhares de pessoas são vitimadas todos os anos. Há enganadores de toda natureza: vendedores de curas milagrosas, de produtos que não funcionam, de terrenos no mar, etc. Na maioria das vezes, as suas vítimas são anciãos, principalmente. Geralmente, pessoas de baixa escolaridade, que são enganados, sofrendo, muitas vezes, prejuízos irreparáveis em seu patrimônio. Em alguns casos, sendo expostas a riscos de morte – no caso, por exemplo, de remédios à base de farinha. O pecado capital desses falsários é que se acostumando em realizar tramóias acabam ganhando excessiva confiança, deixando de precaver-se dos riscos de serem desmascarados. O mal do esperto é que ele acaba se convencendo de que somente ele é esperto, os outros são uns otários. Nesse momento é que a casa cai, o meliante acaba preso, quando antes, não recebe uma sova dos populares.