quinta-feira, 26 de abril de 2012

As culturas híbridas: diálogos e conflitos desiguais entre culturas a serviço do poder.

Por: Paulo André dos Santos. Caro leitor, intransigentemente, coloco-me dentro do texto, para registrar, intencionalmente, que falar de relações culturais, no viés de culturas híbridas, não como o consagrado cantor, o Rei Global, Roberto Carlos, pois não estou aqui rindo ou, como ele mesmo o canta: “...vivendo esse momento lindo...”. Cultura, no sentido político da palavra, é um tema que precisa ser encarado seriamente. Neste momento, não me lembro o autor, mas uma frase me soa muito profunda e propícia de ser parafraseada: Os homens governam o mundo e os símbolos governam o homem...Logo, quem domina os meios de produção simbólica... Ou seja, cultura, politicamente, é um instrumento de poder. É um meio de exercer o poder de maneira eficaz. Ao conquistar a hegemonia cultural, assumindo a vanguarda da produção simbólica, todas as outras formas de dominação ficam mais fáceis de se concretizar. Por isso, possível questionar o que seriam as culturas híbridas? Tal terminologia parece complexar um pouco a abordagem do tema, no entanto, poderíamos dizer que elas são o resultado dos contatos, diálogos e conflitos culturais. São misturas culturais resultantes da circulação de produtos culturais advindos de diferentes comunidades. Com a formalização do processo de Globalização, poucas culturas conseguiram se manter virgens, intactas, diante dos volumosos intercâmbios culturais. Em virtude disso, as culturas perderam o status “monopólio” sobre os territórios em que residem, tiveram que ceder espaços e fazerem concessões. Ao mesmo tempo, conforme o grau de poder (atente para esse aspecto, caro leitor), aumentaram consideravelmente o campo de influência. Transitam, agora, facilmente entre as fronteiras. Em decorrência disso, estão constantemente na zona de colisão com outras culturas. Os conflitos se tornam mais intensos, germinadores de mudanças no seio das culturas, que passam a funcionar como um organismo dotado de uma dinâmica mais ágil. Assim, novos arranjos se articulam e as culturas sofrem um upgrade contínuo em sua estrutura. Tal atualização não necessariamente implica em melhorias, mas, de certo modo, na geração de novos significados. Um exemplo disso, no contexto da história musical brasileira, pode-se citar o Movimento Tropicalista, liderados com Gilberto Gil e Caetano Veloso. O Tropicalismo, a grosso modo, foi para a música brasileira uma espécie de renovação, tanto da expressão artística, quanto das produções e instrumentos utilizados. Em outras palavras, promoveu-se rupturas abrangentes, misturando popular e erudito, nacional e estrangeiro, entre tradições, sobretudo, de lugares sociais e geográficos distintos. Nessa perspectiva, surge dessas misturas novas substâncias culturais, que fomentam a construção de identidades individuais e comunitárias diversificadas. A cultura, deste modo, deixa de ter, em inúmeros lugares, propriamente, não mais um território, mas territórios e, a depender de sua legitimação pelos meios de produção, a sua expansão poderá se dar em escala industrial. Ainda no campo da música, pode-se citar o Funk Carioca, que teve como principal influência o Hip-Hop americano. Ao observar isso, em diversas manifestações culturais, pode-se notar que a cultura “made in USA” é muito forte e, inegavelmente, exerce grande influência no modo de vida de muitos jovens espalhados pelo mundo. Assim, como no discurso da globalização econômica, a versão desse movimento sob a perspectiva da cultura, não teve – e não tem – como um de seus objetivos permitir de maneira equitativa o intercâmbio cultural. Aliás, ao contrário disso. Como tem acontecido no campo econômico, a idéia é manter o superávit no topo. Exportar sempre muito mais do que importar. Da mesma forma que se dá o protecionismo no campo comercial americano, também – e principalmente – se dá no campo da cultura. Para constatar isso, basta analisar a presença cultural americana no mundo. E quando se fizer isso, a constatação será feita: trata-se de um grande império, não somente econômico, não somente militar, mas, sobretudo, cultural. O hibridismo cultural, nesse sentido, em âmbito inter-nacional, apesar de se constituir em um importante combustível para as culturas locais, infelizmente, vem sendo utilizado como meio de preservar hegemonias, de exercer o poder de dominação.

RESUMO - A CONTRACULTURA

REFERÊNCIAS: ALMEIDA,Armando.A contracultura:ontem e hoje.Disponível em Acessado em 10 de abril de 2011. Por: Paulo André dos Santos. RESUMO No texto de Almeida, sobre a contracultura, é abordado a cultura na perspectiva de combate à cultura dominante, convencionada, estabelecida. Trata-se de propor uma mudança de paradigma, que pode ser relacionada a valores, costumes, hábitos, educação etc. Um exemplo muito forte que é exposto por Almeida é do Festival de Woodstock, da frança em 1968. Evento interpretado de maneira empobrecida por muitas pessoas. Woodstock não teve como bandeira “sexo, drogas e rock in roll”, mas, a liberdade de expressão, de pensamente, duramente reprimida pelos organismos. Woodstock não foi somente um evento musical de grande apelo público, foi a consequência de uma insatisfação coletiva com a ordem social vigente. Para Almeida, Woodstock é consequência dos movimentos culturais de ruptura com a tradição, como o surrealismo, o cubismo, o dadaísmo, o existencialismo etc. Alguns personagens da história também servem de inspiração para os movimentos sociais que buscam afirmar novas perspectivas para a cultura. Nomes como os de Mahatma Gandhi e John Lennon representaram de maneira grandiosa a expressão da contracultura. O autor mergulha no campo Sociologia, na Psicanálise e na Filosofia, para caracterizar o objeto de ação da contra cultura, a consciência coletiva, ou, conforme Nietzsche, a inconsciência coletiva. Ou seja, o alvo da contracultura é sempre uma cultura dominante, maciçamente aceita pelo universo coletivo social. A contracultura, portanto, pode ter, por exemplo, como foco eliminar determinados preconceitos instalados no âmbito de determinado social. Ela pode atuar também na desconstrução de comportamentos estereotipados. A contracultura não tem um território específico, pode estar em qualquer segmento da sociedade. Almeida nos deixa a pista de que a contracultura, manifestar-se nas artes, como a música, o teatro, assim como nos movimentos populares.

RESENHA - MUDANÇAS CLIMÁTICAS GLOBAIS

POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
Ao abordar sobre os acontecimentos ambientais dos últimos anos, nota­se a pertinência de discussões em torno dos fenômenos da natureza. Especialmente, aqueles que ficaram marcados pelos danos causados, em grandes proporções. Em virtude disso, atualmente, o tema das mudanças climáticas provocadas pela ação humana entra em pauta nas agendas políticas pelo mundo. Nos últimos anos, inúmeros Chefes de Estado tem se reunido para deliberações sobre o assunto. Pressionados pela sociedade civil, representantes governamentais tem sido obrigados a incluir, pelo menos no discurso, um tom de seriedade em torno da temática. Em contrapartida, existem correntes teóricas que atribuído tais mudanças ao próprio dinamismo da Terra, reforçando o discurso dos governantes que descumprem as orientações para a redução das emissões de poluentes na Atmosfera. Por outro lado, Tanaka (2010) relata que, segundo Climatologistas, as tempestades tropicais vem ocorrendo com cada vez mais frequência em virtude do fenômeno do aquecimento global. Nesse sentido, o referido autor denota que a intervenção humana, nos últimos 150 anos tem provocado um aumento progressivo da temperatura da terra. A respeito disso, Seabra (2008) revela que, ao contrário do que se evoca constantemente nos meios de comunicação, o planeta Terra não está em processo de aquecimento, mas, em um processo de resfriamento. “Existem evidências que o clima, entre cerca de 800 a 1200 d.C., era mais quente do que hoje” (Seabra,2008, p.51). Portanto, seguindo esse raciocínio, além de desconstruir a ideia de aquecimento global, o autor deixa pistas de que as mudanças climáticas não são diretamente um reflexo das ações humanas. É importante ressaltar, que, mesmo com as divergências sobre as condições climáticas da terra, uma ideia consegue encontrar consenso entre os estudiosos abordados, admite­se o fato de que as condições climáticas da terra tem refletido, desde os tempos mais remotos, um processo de mudança. A questão é: em que ritmo? É possível evitar? A humanidade tem tido um papel protagonista nesse processo? A terra está em processo de resfriamento ou de aquecimento? Existem controvérsias. Mudanças climáticas, bem como, os fenômenos de alta proporção da natureza, tais como, os alagamentos, os tornados, os furacões, os terremotos, os tsunamis, tem sido a pauta de discussões de profissionais ligados à Geologia, acadêmicos e representantes governamentais e não governamentais. Como relata Seabra (2009), das emissões de gás carbônico para a atmosfera, cerca de 97% são advindas de processos naturais. Conforme o referido autor, as emissões de carbono através da intervenção humana representa um percentual de 3%, apenas. Em relação a isso, é indiscutível que tal constatação causa um pouco de estranhamento, pois há um forte contraste com o discurso das entidades de defesa do meio ambiente, que se colocam de maneira a culpabilizar as ações humanas, de modo que ressalta o seu papel central na deterioração do meio ambiente e nas mudanças ambientais. Contrapondo­se a essa idéia, o Seabra (2009) argumenta contra os relatórios do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), ao mencionar a constatação feita pelo glaciologista Zbigniew Jaworowski de que a experiência descrita nos relatórios nunca havia sido submetida a uma demonstração que tornasse os resultados confiáveis. Em 2006, por meio de um Documentário, denominado de “Uma verdade inconveniente”, Al Gore, ex­candidato à Presidência dos EUA, evoca a consciência das pessoas, ao salientar que a ação humana tem provocado uma série de transformações na geografia global, especialmente, nas zonas mais frias. Através de animações realizadas em computador, Gore demonstra quais seria o desfecho do aquecimento global. Essas consequências tem como um dos principais desfechos elevação do nível dos mares. De acordo com Tanaka (2010, p.15), “...O nível dos mares subiu de 10 a 25 cm ao longo do século passado e os modelos indicam que vai subir muito mais depressa neste século”. Em virtude disso, com mencionado anteriormente, representantes governamentais tem sofrido pressões das entidades de defesa do meio ambiente, a fim de discutirem soluções para o problema. O que fica evidenciado durante o referido documentário, em que Al Gore demonstra o caráter devastador que a elevação do nível do mar irá provocar. Com isso, a inundação de áreas litorâneas e com níveis de altitude próximos em relação ao nível do mar, deverá acontecer nas próximas décadas. Finalmente, ao levarmos em consideração os posicionamentos divergentes, nas constatações realizadas por estudiosos sobre o assunto, existe, como referido antes, pelo menos um ponto de confluência: a Terra tem seus processos contínuos. Na verdade, é importante saber até que ponto nós seres humanos temos participação nas mudanças climáticas e geológicas, mas, no atual momento ainda não temos condições plenas de diagnosticar isso. Muitos dizem que a Terra está se aquecendo, outros dizem que está se resfriando, para mim, isso vai depender da referência de tempo que utilizamos. É possível que, por um determinado período de tempo, a terra siga uma tendência de resfriamento ou de aquecimento, no entanto, isso não quer dizer que essa processo será uma constante. Entendo que, se fossemos levar em consideração a contemporaneidade, acredito que a fase geológica e climática pela qual estamos passando é de aquecimento e está sendo potencializada pela ação humana, uma vez que, em nenhum outro momento da história a humanidade esteve tão próxima do onipresente e do onipotente nas relações com a natureza. REFERÊNCIAS: SEABRA, Giovanni (Org.). Terra: mudanças ambientais globais e soluções locais. João Pessoa: Editora Universitária da UFPB, 2008. (240p). TANAKA, Shelley. Mudanças climáticas. Trad. Vera Caputo. ­ São Paulo: Edições SM, 2010. GORE,Al. Uma verdade inconveniente (Trailler). Disponível em < http://www.youtube.com/watch?v=GoFkFkolNcg> Acessado em 28 de Setembro de 2011. BROWN, Lester. Elevação do nível do mar força evacuação de ilha­nação. Disponível em Acessado em 30 de setembro de 2011.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O casamento da princesa

Por: Paulo André dos Santos.
Um casamento multimilionário, um espetáculo na TV. Muita gente viu, em vários países, através da Internet, ou, principalmente, por meio das redes de TV. Realmente, foi uma cerimônia muito pomposa. Aliás, seria melhor classificá-la de triunfal. Sim, o triunfo do escárnio sobre os pobres. Fala-se que foram gastos cifras astronômicas com a logística matrimonial. Diz-se que, ao todo, o evento custou em torno de um bilhão de dólares, mais do que o PIB de muitos países. Somente para exemplificar, esse dinheiro daria para alimentar uma população de 10 milhões de pessoas, por cerca de 20 dias, com uma refeição de 5 reais. É muito dinheiro, caro leitor. Sobretudo, por que se trata apenas de um casamento, ainda que seja de um membro da Família Real Britânica. Para se ter uma idéia, cerca de um quarto da população mundial, um bilhão e meio de pessoas, vivem em condições sub-humanas, na extrema miséria, das quais, em grande parte, residem no continente africano. Na Etiópia, por exemplo. Imersas profundamente e arrastadas pelas correntezas do capitalismo, as pessoas – muitas delas – sequer chegam a refletir sobre fatos e acontecimentos, que se protagonizam. Não se trata de massacrar o capitalismo, ou, de defender veemente o sistema socialista, mas, de simplesmente provocar alguma reflexão. Portanto, a intenção desse diálogo não é promover idéias, simplesmente, mas de refletir sobre elas e – quem sabe?- discutir o assunto em um plano mais elevado. Assim, a intenção não é tão somente criticar a Família Real Britânica, mas de exercer uma autocrítica sobre a lógica de consumo da sociedade. Uma ideologia de consumo capitalista que, conseguiu atingir atualmente proporções para além da necessidade. O que as pessoas gastam com supérfluos, por exemplo, daria para ajudar, localmente, uma legião de famintos. Em contrapartida, a sede de provar algo inédito faz com que não se olhe para trás. A obcessão para subir as escadas impedem quaisquer possibilidades de visita ao porão. O antigo, o arcaico, empoeirados, revelam pouca atratividade. A quantidade de novidade produzida é tão grande e sedutora que, preponderantemente, torna-se muito difícil olhar para o passado. É como deixar-se levar pelas correntezas sem sequer ter noção para onde se vai e, por mais incrível que se possa parecer, de onde se veio. A sociedade capitalista contemporânea é isso, uma fábrica de tempestades e correntezas, que arrasta multidões para o consumo desenfreado de bens materiais e serviços, desnecessários. A necessidade, na verdade, é produzida, aprendida no seio das relações sociais, como também, através dos meios de produções culturais dominantes. No momento em que, devido a fatores multiplos, percebe-se que a realidade é tão somente uma projeção de imagens, estrategicamente pensadas e planejadas, pode-se sentir uma dor capaz de penetrar na alma e de estragar as doces e fabulosas lembranças. Nesse momento, é possível que um conflito surja: permanecer na fábula ou encarar a dura realidade, a de que se é, assim como a grande maioria, apenas alimento para o famigerado e dinâmico sistema. Nesse instante, pode-se aprender a lição de que o despertar da consciência é um processo e um produto doloroso, que fazem muitos desistir e retornar ao estado confortável de imersão nas fábulas. Afinal, poucos suportariam a solidão e o esquecimento, a que são condenados os que se opõem e negam a legitimidade do sistema. Ao retomar a discussão sobre o casamento da princesa, pode-se afirmar de que é tão amplarmente aceito e valorizado, por que projetam nas pessoas o desejo de estarem no lugar de um dos pares matrimoniais. Desperta nas pessoas o desejo pelas honrarias e homenagens, pois, como afirma Nietzsche, tudo o que é vivo e anda, tem desejo de potência, desejo de poder. Assim, qualquer um pode ter e ser, pelo menos, simbolicamente. E isso, junto a outros fatores, constitui-se em um potente combustível para a dinâmica do consumo.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A caminho da delegacia

Por: Paulo André dos Santos.

Como costumo pensar, os rumos de nossa vida são definidos nos momentos menos importantes, nos pequenos detalhes. Uma escolha impensada pode provocar marcas catastróficas para nossas vidas e para a vida dos outros.

Um exemplo disso, foi o que aconteceu em Salvador numa tarde de domingo. O caso teve repercussão nacional, em inúmeros veículos de comunicação. Uma mulher foi às compras em um supermercado no bairro do Rio Vervelho. Aparentemente, tudo ia bem. A senhora, que atendia pelo nome de Maria Bouzon escolheu o que queria comprar e seguiu até a fila de um dos caixas.

Maria Bouzon, uma senhora de aproximadamente cinquenta anos vivenciou, talvez, a pior das tempestades de sua vida. Provavelmente, quando saiu de casa para ir às compras não imaginava o desfecho de que ia se desenhar: três dias atrás das grades, na cadeia. Nada pensava a esse respeito. O dia seria normal, sem nada especial a acontecer.

Entretanto, eis que ela se traiu. Agiu com uma prepotência desmedida e inconsequente, que lhe custou caro. Permitiu-se agredir de maneira atroz uma caixa de supermercado, e por isso, como primeiro castigo, a exposição ao ridículo e à "vergonha eterna". Depois, ainda poderá responder judicialmente.

O que era para ser apenas um momento de compras em um supermercado, tornou-se um espetáculo. Um espetáculo de horror. A senhora Maria Bouzon não se conformou em ouvir um "não pode" e resolveu agredir moralmente a atendente do caixa.

Tudo para massacrá-la, moralmente. Só que o momento veio a calhar e, como afirmava minha saudosa avó, "deixe o prego que o martelo chama". E dessa vez não só chamou, mas, gritou e gritou alto. Para ser mais preciso, a delegada de polícia estava logo atrás dela. Uma feliz providência para quem estava sendo humilhada e um infortúnio merecido para a senhora Maria Bouzon.

Tudo por causa do preconceito racial. Tudo por causa do ímpeto para humilhar o próximo. Tudo por uma vontade mesquinha de se sentir maior, superior a outra pessoa. A senhora Bouzon, certamente, não irá esquecer desse domingo. Eu, particularmente, acho condenável tal atitude. E você, caro leitor? Sabe-se que o racismo é crime, todos tem o conhecimento disso. No entanto, temos de admitir que essa questão tem desafiado educadores em todo mundo, sobretudo, no Brasil, onde existe um déficit educacional.

Temos que admitir, também, que o sistema econômico capitalista nos impõe uma "luta sanguinária" aos seres humanos, entre si. Toda a sua lógica perpassa pelo individualismo e pela superação e esmagamento do concorrente. Não há nada de ético nisso! É importante frisar que isso não minimiza, ou exime, qualquer pessoa de praticado racismo, mas, o que se quer expressar é que existe a influência de um problema maior, a falta de ética.

Aliás, há uma grande fragilidade em nossa formação ética. Quem não ouviu falar no "jeitinho brasileiro"? Pois é, tal maneira de se comportar desnuda a nossa fragilidade. O que muitos dizem muitas vezes ser uma qualidade, constitui-se em contextos específicos em um deficiência. O racismo é somente mais um sintoma da doença, que podemos chamá-la - pela falta, ou, pelo desconhecimento de um nome mais apropriado - de Síndrome da degeneração ética.

Ser racista, ser violento, ser cruel para com os outros, é um reflexo de como gostamos tão pouco de nós mesmos. É um reflexo que revela o quanto precisamos melhorar, evoluir como ser humano. Pessoas que agem dessa maneira podem até estar sorrindo, mas, provavelmente, ainda não experimentaram a felicidade. Quem enxerga tudo azul não tem sede de sangue. Então, a vida moderna tem nos tornado infelizes e incapazes de convivermos entre as pessoas sem manifestarmos egoísmo e mesquinhez.

O caso da senhora Bouzon é mais do que um fato isolado. É um acontecimento que solicita uma reflexão. Existem passados que não morrem. Parecem se perpetuar no vento. Depois de milhares anos, certas mazelas humanas permanecem. Mazelas que tornam o viver e o conviver, em muitos casos, quase insuportável.

Aos nobres visitantes.

Por: Paulo André dos Santos*
Como quem não quer nada. "Sem o quê nem pra quê", despretenciosamente, em pleno janeiro de 2012, o Presidente Obama resolveu agraciar os brasileiros com uma "dádiva". Agora, ficará mais fácil conseguir um visto no passaporte para os brasileiros que anseiam em conhecer a terra do Tio Sam.

Isso soaria um pouco cômico, se não fosse apenas o interesse pelo dinheiro dos turistas, já que, como admitiram, os brasileiros estão entre os que mais gastam em solo americano. Infelizmente, confirmando a afirmação do dito popular, a memória do brasileiro é fraca.

Não por que tenhamos algum problema fisiológico, mas por que se escolhe o esquecimento como fórmula para aliviar os malfeitos sofridos. Diz-se que o brasileiro é um povo alegre, entretanto, talvez, isso não lhe seja da natureza, mas uma alternativa ao sofrimento, por que o brasileiro, definitivamente, sofre muito. Sofre com os impostos, com a corrupção, com a violenta desigualdade social, etc.

Assim, retornando ao assunto da dádiva americana, é incrível constatar tal reviravolta. Saímos da condição de persona non grata em solo americano, para nos tornarmos, em um passe de mágica, nobres visitantes. Parece até profecia, pois como escrito na Bíblia, "Os humilhados serão exaltados". Pensar que por muitos anos estivemos de pires na mão rogando por migalhas. Pensar que muitas vezes fomos humilhados e deportados ao pisar em solo americano. Esse mundo dá voltas mesmo!

Nos últimos anos, os americanos tem assistido inconformados o avanço das economias emergentes. A China, então, tem lhe provocado calafrios. Com uma média de crescimento próxima dos dez por cento ao ano, os chineses estão conquistando o mundo e os americanos estão colocando as "barbas de molho".

A exemplo disso, Brasil, índia e Rússia também estão fazendo bonito. No caso do Brasil, que vem crescendo continuamente, o otimismo é coerente. O Risco Brasil, índice econômico que avalia a credibilidade de um país em honrar os compromissos, nunca esteve tão bom. Tanto que, mesmo exageradamente, no meio de uma crise imobiliária americana, o então Presidente Lula tenha chegado a oferecer dinheiro emprestado aos Estados Unidos.

Em verdade, é um exagero, pois apesar de todo o clima de otimismo perante o cenário da economia brasileira, o país ainda amarga ínumeros problemas sociais. Verdade também que em nenhum outro momento das história tenhamos avançado tanto em indicadores sociais, mas não dá, ainda, para dizer que somos um país desenvolvido. Precisamos avançar e muito.

Enquanto isso, que continuem nos tratando como nobres visitantes, pois, como anuncia a propaganda comercial da Jonnie Walker, em 2012, "o Gigante não está mais adormecido". Embora como dito antes, precisemos avançar muito, é incontestável a valorização brasileira em termos econômicos.

Assim, apesar de estarmos tão longe do Brasil que queremos e de convivermos ainda com algumas sombras do passado, hoje, somos muito mais do que uma promessa. Somos um país rico, que precisa enriquecer o seu povo.

Atrás das grades.




Por: Paulo André dos Santos*

Fevereiro, como costuma cantar Ivete Sangalo, “está no clima”. E fazendo jus à tradição, fevereiro, em Salvador, é mês de muita agitação na cidade. Todos na folia, correndo, dançando e cantando. No entanto, em 2012, para nossa surpresa, o carnaval está acontecendo de outra maneira. As pessoas gritam e correm, mas não atrás do trio. Correm de medo, dos arrastões que tomaram conta da cidade.

E esse arrastão de que vos falo, caro leitor, não é brincadeira. É coisa séria. Grave! Gravíssima. A Polícia Militar baiana entrou em greve e a capital Salvador se encontra entregue aos bandos armados.

Eu disse bandos armados! Por que um punhado de homens da Força Nacional e do Exército Brasileiro, mesmo com toda a boa vontade do mundo, dificilmente, seriam capazes de suprir a ausência de pelo menos dez mil policiais militares amotinados, de “braços cruzados”.

Além disso, como se não bastasse, alguns maus policiais, conforme veiculado pelos meios de comunicações, tem promovido uma verdadeira “onda de terror” na cidade. Não um simples manifesto pela greve, mas uma estridente ação criminosa.

Enquanto isso, cidadãos e cidadãs, jovens, crianças e idosos, encontram-se impedidos de ser e de estar na cidade. Sim, caro leitor, proibidos. Severamente, proibidos. Grupos de policiais, que já tem contribuído para a imagem ruim da Polícia baiana, resolveram não somente “cruzar os braços”, fizeram mais do que isso, deixaram o Povo refém.

Não secretamente, como aqueles filmes americanos, em que sequestradores enviam uma carta à família, pedindo o resgate. Eles interditam as vias públicas, cometem atos de vandalismo, promovem uma insuportável e aterrorizante desordem. Tudo isso, somente para demonstrar o quanto são necessários à sociedade, o quanto merecem serem reconpensados com salários mais dignos.

Na verdade, caro leitor, nesse ponto uma questão que precisa ser mencionada: o foco da análise não deve ser exclusivamente esse. Não somente os policiais sofrem com baixos salários. Médicos da rede pública, professores, etc., se formos analisar, ganham muito menos, levando-se em consideração todas as exigências com qualificação profissional e acadêmica de nível superior.

Ao colocarmos na ponta do lápis, o salário inicial de um professor com doutorado, na rede pública estadual de escolas, por exemplo, provavelmente, não chega a ultrapassar os dois mil e trezentos reais que ganham, inicialmente, os soldados da polícia baiana.

Além disso, sem querer fazer defesa do Governo, quando as pessoas se propõem a encarar um concurso para se tornarem funcionários públicos, elas sabem a faixa salarial que está à espera. A pergunta é: por que se candidatam?

Outra coisa, importante mencionar, é que jamais se deve contestar o direito dos profissionais de pleitearem melhores salários. Isso é indiscutível. Mas a que preço? No caso dos policiais baianos, em greve, amotinados e de braços cruzados, será que seriam capazes de pagar pelo preço que estão impondo à população? Será que pelo menos um desses policiais tem família? Será que seriam capazes de se questionar: e se fosse o meu filho, mais um a somar entre as dezenas de mortos por causa da extrema violência que acomete a cidade? Será que poderiam se questionar sobre isso.

Fatos como esses, tem se repetido, ao longo dos últimos anos, em vários estados. Os policiais tem lutado para sair da situação, muitas vezes, humilhante a que estão sendo submetidos, sem condições de trabalho e sem uma remuneração adequada. Para a nossa tímida perplexidade, leitor, os fatos se repetem em proporções cada vez maiores e com consequências cada vez mais violentas. A que fim chegaremos. Será o Apocalipse?

Os crimes cometidos por policiais em greve, na Bahia podem até serem esquecidos pelo Estado, pelos policiais e pela sociedade. Entretanto, dificilmente, os familiares das pessoas assassinadas irão esquecer. Você esqueceria, caro leitor?

Eu sou até capaz de duvidar. Talvez, você concorde comigo que todos eles precisam de uma punição exemplar, dentro dos limites jurídicos. Assim tais acontecimentos não cairão em moda. Em contrapartida, é bom frisar, o Governo precisa ser mais proeficiente nas políticas de segurança pública. Os cidadãos e cidadãs, contribuintes que sustentam a máquina pública, não podem ser abandonados ao caos.

O interessante é que, nos dias de hoje, lamentavelmente, as pessoas dão uma audiência formidável aos casos de violência, que se noticia na televisão, no rádio e, principalmente, na Internet. Portanto, se os policiais da Bahia quiseram ganhar notória repercussão nacional, conseguiram. E de quebra, como que por um gesto de desagravo, arruinaram a frágil sensação de segurança da população baiana.

Infelizmente, em pleno fevereiro, mês da alegria popular, não podemos cantar, ainda, ao som da Timbalada, caro leitor, “já é Carnaval, cidade. Acorda pra ver. A chuva passou, cidade. O sol brilha aê...”. Neste mês de fevereiro, o sol tem se escondido atrás de núvens nebulosas. Dia e noite a chuva cai na cidade e estamos todos ilhados, neste momento, sem ter para onde ir. Chove atos de vandalismo e a violência transborda na cidade.

Assim, resta-nos um luz no fim do túnel. Políticas públicas de segurança nesses momentos de crise precisam ter um contigência mais adequada. O Povo não pode continuar exposto à tensão entre policiais e o Poder Público. Policiais e representantes do Governo precisam chegar a um denominador comum.

Contudo, apesar de admitir essa hipótese, não quero acreditar sequer na ideia de que atos criminosos cometidos por militares sejam esquecidos. O espírito da lei foi erguido para equilibrar as forças entre os antagonismos dentro da sociedade. A lei deve e, imperiosamente, precisa ser cumprida. Por lei, um policial deve zelar pela lei. Quem comete atos criminosos precisa ir para atrás das grades, nesse caso, não existe excessão.

Então, como diz Caetano Veloso, “a Bahia é linda. Salvador é linda”. O Carnaval em Salvador não tem igual. A Polícia Militar todos os anos, também contribui com a festa. Este ano tem que ser diferente?