domingo, 23 de agosto de 2009

Coaching, por que faz bem.



POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.

Diante do ritmo intenso em que nos lançamos na vida cotidiana, ficamos muito restritos ao momento presente. Valorizamos de mais coisas que, se fruto de uma reflexão profunda, seriam consideradas sob um outro ponto de vista e nos levariam a tomar outras atitudes.

Quantas vezes nos arrependemos por atos que realizamos de maneira impensada? Quantas vezes violamos os nossos próprios valores, justamente, por termos sido dominados pelos impulsos? Nessas horas, quando nos damos conta, ficamos decepcionados com o nosso próprio eu, percebemos a fragilidade de nossas convicções.

Nesse sentido, torna-se necessário a nós educarmos a nossa mente para que venhamos a evitar certas circunstâncias. Para isso, antes de assumir qualquer posicionamento em nossas vidas, devemos nos perguntar se é válido seguir em frente, pesando o que se ganha e o que se perde em empreender determinados atos.

Dessa forma, não podemos deixar de cogitar a possibilidade de reagir de maneira diferente a uma situação que normalmente solicitaria um embate, um conflito. Ao lidar com pessoas, inevitavelmente, estaremos entrando em um universo complexo, diversificado, visto as diferenças de valores e crenças.

Imaginem se todas as pessoas tivessem a mesma opinião. Será que isso seria bom? Provavelmente, não. Pode parecer até paradoxal, mas, o conflito de idéias é quem proporciona o desenvolvimento humano. Não são as respostas prontas que movimentam o mundo, mas, as perguntas que as questionam. A questão, portanto, não é o conflito em si, mas, como conduzimos esse conflito, de modo saudável, sem provocar ressentimentos ou, de maneira traumática, deixando-nos levar pelos impulsos de agressividade.

Em face disso, temos que estar capacitados para lidar com diferentes situações que surgem em nossas vidas, principalmente, durante as relações interpessoais. Para que isso aconteça, não há solução mágica. O processo de automudança deve ser conduzido por cada um de nós e de forma gradual.

Hoje, vivemos muito em função de nossos resultados. Reclamamos das dificuldades enfrentadas no dia-a-dia, seja na área profissional, seja em nossas vidas pessoais na relação com os outros. Muitas vezes, atribuímos aos outros o mérito pelas nossas atitudes, pelo nosso fracasso, mas, será que esse é o melhor caminho?

Foi buscando responder a isso que surgiu o Coaching, pensando em uma proposta que ajude as pessoas a conseguirem melhores soluções para os problemas vivenciadas no cotidiano. Por isso, o Coaching possibilita às pessoas atingirem realizações uma melhor qualidade de vida.

Depois de se permitir instrumentalizar pelo Coaching, as pessoas podem atingir objetivos pessoais, conquistando mais satisfação e elevação de auto-estima. Tudo isso é possível graças a um processo de estímulo ao autoconhecimento e ao desenvolvimento da inteligência emocional.

Quando esses processos são finalizados com êxito, nós percebemos que não existem várias possibilidades, portanto, várias escolhas que determinarão o resultado de uma dada situação. E assim, escolhemos a opção que irá proporcionar o melhor resultado, conferindo-nos mais autoconfiança.

Com o Coaching, aprendemos a lidar melhor com os nossos medos e com as nossas limitações internas. Aprendemos, sobretudo, que temos qualidades positivas e negativas e que sempre podemos melhorar como pessoas e como produtores de resultados mais expressivos.

Mais do que ensinar, o Coaching nos ensina que existe sempre algo a aprender para suprir as nossas necessidades e para superar as nossas deficiências. A partir do Coaching, podemos perceber mais do que outras alternativas para a resolução de situações conflituosas, mas, sobretudo, perceber que podem existir maneiras melhores de estarmos conduzindo as nossas vidas.

REFERÊNCIAS:

O que é Coaching. Disponível em Acessado em 23/08/2009.
Coaching. Disponível em Acessado em 23/08/2009.
COACHING: UM COMPROMISSO COM RESULTADOS E REALIZAÇÃO. Disponível em Acessado em 23/08/2009.

Quando o microfone fala...




POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.

Quem detém o poder de representar, de dar voz, em razão da representatividade em que se reveste, para em essência, sintetizar os anseios das maiorias, são os representantes. No entanto, esse poder é ao mesmo tempo tão absurdo, pois, torna abstratos os representados, uma vez que não possuem voz própria, quanto é, também, legítimo, pois, ordena, organiza, direciona os discursos que, em tese, emanam dessas maiorias. O sujeito que detém o microfone, em representação a um determinado grupo, é, ao mesmo tempo o sujeito que ali representa e, legitimamente, a maioria representada nele.

O mistério do ministério é um desses casos de magia social em que uma coisa ou uma pessoa se torna uma coisa diferente daquilo que ela é, um homem (ministro, bispo, delegado, deputado, secretário-geral, etc.) que pode identificar-se e ser identificado com um conjunto de homens, o Povo, os trabalhadores, etc. O mistério do ministério chega ao cúmulo quando o grupo só pode existir pela delegação num porta-voz que o fará existir falando por ele, quer dizer, a favor dele e no lugar dele. O círculo então fica fechado: o grupo é feito por aquele que fala em nome dele, aparecendo assim como o princípio do poder que ele exerce sobre aqueles que são o verdadeiro princípio dele. [...] (BOURDIEU, 2007, p.158)


Ocupar, hoje, um cargo de dirigente, delegado, secretário etc., de uma representação sindical, seja em nível de federação, seja em nível regional, está, inevitavelmente, atrelado à ideologia de um determinado partido político, que, em razão da conjectura atual, defende, assume, atua em nome de interesses que favorecem, primeiro, à sobrevivência do partido, e, em segundo, à oportunidade de ampliar o seu leque de atuação, de influência, de poder. Por isso, Bourdieu (2007, p.185), revela que "Em política, <>, quer dizer, fazer crer que se pode fazer o que se diz e, em particular, dar a conhecer e fazer reconhecer os princípios de di-visão do mundo social, as palavras de ordem que produzem a sua própria verificação ao produzirem grupos e, deste modo, uma ordem social. [...]". A promessa, assim, em um segmento politicamente engajado, nem sempre irá se tornar uma realidade. Em nome da mobilização das maiorias recorre-se, muitas vezes, à alienação destas, em via de garantir o efeito que se deseja, ou, de legitimar o que, no momento, não se justifica.

O contraditório nisso, ocorre, quando quem deveria representar, quem deveria defender, quem deveria ser o fruto dos interesses das maiorias, defende, para decepção das maiorias, a expressão dos próprios interesses, é, não mais o representante, mas, nesse instante, representa a si mesmo.

"O desenvolvimento normal da organização sindical geral resultados inteiramente opostos aos que tinham sido previstos pelo sindicalismo: os operários que se tornaram dirigentes sindicais perderam completamente a vocação do trabalho e o espírito de classe e adquiriram todas as características do funcionário pequeno-burguês, intelectualmente pervertido ou fácil de perverter. Quanto mais o movimento sindical se alarga, ao abarcar grandes massas, tanto mais o funcionarismo se espalha" (GRAMSCI, apud BOUDIEU, 2007, p. 195).



Apesar disso, não resta outra saída aos representados senão investir em uma representação, mesmo que, às vezes, seja necessária negá-la, retirá-la da condição representante e pôr em seu lugar, outra representação. Isso acontece por que, aqui no Brasil como na maioria dos países, é ilegítima a manifestação de trabalhadores sem uma representação sindical. Os sindicatos são a voz dos trabalhadores, são a sua existência e resistência, e, quando em nome da causa trabalhista, mobilizam-se e mobilizam para a conquista ou a manutenção de direitos.

Ora, se os representantes, aqui, o sindicato, não estão representando os anseios das maiorias, cabe às maiorias assumir uma postura definir outras representações para si. Apesar do poder que emana do microfone, ele só se justifica pela crença e pela permissão das maiorias. A partir do momento que este poder simbólico cai em descrença, ele, inevitavelmente, deixa de existir.

Nesse sentido, é providencial que, para que isso não venha a acontecer, os indivíduos representados não se deixem cair na passividade, neutralidade diante dos representantes. É preciso exercer uma constante vigília a respeito das atividades e dos discursos dos representantes. A função das maiorias, em nome da preservação da sua representatividade é policiar as atividades dos representantes e, permanentemente, definir e exigir como quer ser representado.


Referência:


BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Trad. Fernando Tomaz (português de Portugal). – 11ª ed. – Rio de Janeiro; Bertrand Brasil, 2007.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

O Banquete da burguesia

POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS*

Preço e mercadoria. Critérios muito considerados pelas grandes empresas ao se lançarem para implantação de um polo produtivo de serviços e produtos. Mão-de obra barata e qualificada, uma condição ideal que se viabilizem os investimentos - e os lucros. Assim, a força produtiva se converte em potencial de lucro nas lutas comerciais entre as empresas. Afinal, para manter a competitividade, as empresas estão sempre buscando reduzir os seus custos com a produção - o que envolve os encargos trabalhistas.

Trata-se de uma exploração "sangrenta" da mão-de-obra em prol da sobrevivência no mercado - meio predatório isso, não parece? Para que isso seja possível, contribuem com extrema falta de responsabilidade social os centros de formação profissional, que lançam anualmente aos mercados, em escala industrial, um considerável número de novos profissionais - sem que, necessariamente, o mercado esteja apto a captar toda essa massa de trabalhadores. O que acontece? A lei da oferta e da demanda entra em vigor, formam-se os reinos e as cabanas, não há lugar para todos no castelo.

Ou seja, os trabalhadores veem-se instintivamente obrigados a se "digladiarem" por uma vaga no mercado, já que não existem vagas necessárias para incluir todos na dinâmica produtiva. Isso coloca em condição de absoluto conforto os "cartolas do Mercado", pois, com tanta gente em busca de trabalho, pode-se criar uma espécie de "leilão das vagas", visando identificar os profissionais que aceitariam trabalhar por um salario reduzido. Quanto mais gente procurando o emprego, menor o salário.

Consoante, isso pode ser identificado que, com as privatizações realizados pelo governo do Brasil na década passada, os trabalhadores passaram a ganhar menos. O "Estado Mínimo" ou "Estado Neo-liberal", de acordo com os princípios do capitalismo, passaram a enxugar drasticamente a sua participação na vida das pessoas, o Mercado assume, então, o comando. Logo, começam a se realizar a produção industrial do cidadão multi-utilidades, ao mesmo tempo barato e competitivo. Barato por que é produzido em abundância pelas escolas de formação profissionalizante e competitivo porque, para manter a empregabilidade, vê-se obrigado a investir grande parte de seu achatado salário em processos de aprimoramento profissional, visando permanecer como um "produto" atraente para as empresas.

A vida produtiva torna-se assim, a vida social das pessoas. Viver para produzir, quem não está produzindo não está servindo nem como produto nem como possível cliente, são considerados um joio, um peso para a sociedade. De quem é a culpa disso? De quem é o mérito por indivíduos estarem desempregados? O Mercado, rezando a “bíblia” capitalista argumenta que é culpa dos indivíduos, por não se qualificarem ou não se empenharem no processo de qualificação. Ou seja, eles são uns derrotados e ninguém carrega a culpa disso senão eles mesmos. Esse é um posicionamento cruel em defesa da alta lucratividade das empresas. O desemprego faz parte dos interesses das empresas atuais - por lá, costuma-se chamar isso, cinicamente, de rotatividade.

Ninguém admite de quem é a culpa. O Estado se queixa da redução dos postos de trabalho por meio da modernização e, consequente, automação do processo produtivo, mas, ao mesmo tempo, contribui com programas de capacitação de trabalhadores do tipo plural, oferecendo-lhes uma formação geral, tornando-os versáteis para realizar tarefas e, em contrapartida, baratos, pois, como já dito, são produzidos em larga escala. O "Mercado" se esquiva das acusações e diz que não é dele a responsabilidade pelo desemprego, mas, do Estado, que exerce uma grande oneração por via dos tributos cobrados, obrigando as empresas a buscarem alternativas para reduzirem custos e permanecerem competitivas.

Além disso, legitimam a "lei da sobrevivência", em que elas estão obrigadas a se subjugarem para permanecerem vivas e, ao qual, os trabalhadores devem se inspirar para conseguirem a inclusão e a permanência na atividade profissional. Em meio a culpas e culpados, empresas e países tem se beneficiado em detrimento do lado mais "fraco", os trabalhadores. Um exemplo disso, é a China, um gigante que vê sua economia ter maior desempenho global, enquanto, o seu povo é submetido a uma condição de trabalho em muitos aspectos desvantajosa. Baixos salários, super-exploração e ausência de direitos fazem parte da rotina desses trabalhadores.

Ao estar a caminho da marca de dois bilhões de habitantes, esse gigante da Ásia se torna aos olhos dos Mercados um magnífico reino a ser conquistado, sua imensa população confere ao país um atrativo para os grandes mercados, que querem tirar proveito dessa especificidade.
O regime comunista da China, já faz alguns anos, que se ajoelhou com uma perna só para o Mercado, passando a conceber em seu sistema econômico o inédito Socialismo de Mercado - para os capitalistas, isso é um bom começo. É como se os chineses dissessem aos grandes empresários capitalistas: "Nós ganhamos, mas, vocês levam o troféu". Abrem-se, gradualmente, as portas dos templos aos investidores estrangeiros, de modo que, nos últimos anos, a China tornou-se, talvez, o maior canteiro de obras do planeta.

Em um único dia surgem novos edifícios do tipo arranha-céu, que abrigarão luxuosos escritórios executivos de mega-empresas. Quem paga isso? Ora, o lucro obtido através da criação de um sistema produtivo barato e competitivo, trabalhadores dedicados e mal-pagos. Afinal, cada um tem a sua parte no latifúndio - apesar de ninguém ser dono de terras na China.

Enquanto o governo detém a posse das terras, os grandes empresários estrangeiros ficam com o fruto precioso do setor produtivo - o dinheiro, e, os trabalhadores, bem, estes ficam com as migalhas que caem da mesa farta e suculenta do patronato. A burguesia moderna está cada vez mais voraz e egoísta. Os banqueiros tem lucros exorbitantes, os detentores do grande agronegócio querem todo tipo de subsídios, as fábricas escolhem o local do seu pólo produtivo considerando os incentivos fiscais e a estrutura logística oferecida pelos Estados (malha rodoviária, portos e aeroportos). Enfim, o Estado torna-se mais um refém na mão dos grandes mandatários do cenário global, as grandes empresas.

Com isso, a redução na arrecadação tributária somada aos encargos sociais proporcionados pela elevação do desemprego, o "Estado Mínimo", torna-se aos olhos de todos um Estado pequeno, frágil, impotente, falido. No Brasil, mais um agravante, o "fogo amigo", o Estado corrompido dentro de sua estrutura institucional, os interesses do Mercado são fielmente seguidos por quem deveria vigiá-lo, os agentes políticos.

A corrupção por aqui é histórica, mas, nessas primeiras décadas de redemocratização, assumem uma conotação ainda mais escandalosa, visível. Se é que se pode falar de escândalo, os casos de corrupção dentro da máquina estatal são tão rotineiros que fica até estranho se falar em escândalo - os brasileiros parecem estar tão domesticados a isso que a corrupção, talvez, tenha deixado de ser algo que mereça reflexão. É tudo que os grupos de interesses querem, eles querem "trabalhar" as fraudes sossegados, sem ninguém para vigiar ou, para julgá-los.

domingo, 19 de julho de 2009

Quando voltamos a ser crianças.

POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.

Quando pequeninos, aprendemos que o ciclo da vida se dá com as fases do nascimento, crescimento, reprodução e morte. Durante essas fases, aprendemos uma gama de coisas e nos desenvolvemos como seres humanos; somos solicitados a prestar nossa cota de contribuição à civilização. Mas alguma coisa ainda falta dizer desse nosso período vital. Isso por que, quando envelhecemos, é aparente a nossa ânsia em voltarmos à juventude, à infância. Ao mesmo tempo em que nos libertamos, que nos tornamos gradualmente independentes na vida, vamo-nos aprisionando às necessidades, às regras e aos costumes. Quando envelhecemos, parece que saturamo-nos de tais coisas, e, consciente ou inconscientemente, iniciamos uma busca na direção contrária à determinada pelo tempo, queremos tornar a ser crianças, possuídos pela curiosidade e pela energia características dessa época, insuperável em vida e em vontade de viver. Ao menos em espírito, alguns de nós, nunca envelhecem. Insistimos, muitas vezes, em violar os limites que a idade do corpo nos impõe, desobedecemos às prescrições de elasticidade e de resistência estabelecidos para a nossa faixa etária, desprezamos o bom senso. Depois disso, sentimos as consequências do peso da idade, surgem as dores, as contusões musculares e, às vezes, até fraturas. Isso porém, para alguns de nós, não significa um obstáculo intransponível. Mesmo após isso, insistimos em desobedecer regras e em violar os tabus, assumimos a nossa vocação suprema para viver. Nesse meandro, deixamos de ser responsáveis e independentes, passamos a precisar de auxílio para satisfazer as nossas necessidades mais básicas, como para tomar banho ou se alimentar. Infelizmente, a nossa trajetória – quando a seguimos de maneira natural - em determinado momento, culmina na fase da debilidade corporal, somos vencidos pela fragilidade da velhice. O nosso corpo, frágil e dependente como o de um bebê, mas, ao invés deste, que se desenvolve, o nosso corpo segue o seu caminho de deterioração, de falência absoluta, rumo ao destino final de qualquer ser humano, a morte. “...Que seja eterno enquanto dure...”, Assim como diz Carlos Drummond de Andrade, sobre o amor, em um de seus belos poemas, devemos encarar a vida, vivendo-a intensamente enquanto for possível, pois, o tempo não é suficiente para que tenhamos a possibilidade de lembrar de viver. Se vacilarmos e nos atrasarmos, ao olhar pela janela, perceberemos que a caravana já passou.

domingo, 12 de julho de 2009

Maior que o mundo.

POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.

Com certeza a Magu nunca esqueceu aquele dia. Um acontecimento daquele só acorre uma vez em uma vida. É como se fosse o encontro entre duas estrelas que a milhares de anos estavam separadas, o primeiro choro ou a gloriosa estréia nesse mundo. Mais importante do que o nascimento, só o renascimento, pois, nesse estamos conscientes de que estamos vivos e de que talvez seja a nossa última chance. Na cultura, na idade, na saúde e no amor, estamos sempre renascendo. E é nesse último renascimento que nos sentimos mais sublimes, mais próximos da divindade. Nesse momento, assumimo-nos como quase deuses, querendo mover o mundo para que reine a felicidade. Um velho dito popular costuma sempre se repetir entre as discussões sobre questões amorosas: “O amor remove montanhas”. O amor é pura energia, é a força que impulsiona para o bem as ações humanas. Ele nos dirige à perfeição, ao estado de espírito elevado, sereno, a sabedoria. Quando falta amor neste mundo, passamos a viver sem significado, sem essência, sem caminho nem destino certo, ficamos completamente perdidos. Amor de verdade não tem ciúmes nem inveja, mas, ao contrário disso, tem alegria e admiração. É costume sermos tão pobres de amor, que confundimos com a paixão. O amor é sempre bom, traz sempre acréscimo em nossas vidas, torna-nos mais fortes e sensatos. A paixão, no entanto, governa-nos, cega-nos e nem sempre nos revelam bons caminhos. Somos possuídos pela paixão o tempo todo. Temos paixão pelas coisas materiais, como dinheiro, roupas, jóias, etc., mas, também temos paixão pelas coisas imateriais, como pelo culto ao orgulho, a inveja, a arrogância etc. Ou seja, a paixão é como o nosso eu cheio de vontades e sem limites. A paixão nos poda como plantas, priva-nos de sermos o que somos: águias em busca do céu azul. A paixão nos aprisiona, cerca-nos dentro de limites do qual não conseguimos sair, torna-nos como galinhas reclusas no galinheiro, ou, como pássaros dentro de uma gaiola. O amor é diferente. Amor é grandeza, escolha, generosidade, liberdade. Amar é como alimentar pássaros livres, dar a eles o direito de voarem, de irem e de voltarem quando quiserem. A Magu viveu o amor intensamente enquanto pôde, isso, por que ambas estrelas continuaram a ser livres para orbitarem pelo céu. Esse é um amor maior do que o mundo em que vivemos, assentado na paixão pelas coisas e pelas pessoas, pela posse e pela legitimidade da escravidão diante de tudo. O viver, sem o amor que nos orienta, é um culto às necessidades, à mesquinhez. Enquanto que viver amorosamente a vida implica em se dispensar das coisas vãs e preocupar-se mais com o bem estar pessoal e dos outros.

sábado, 11 de julho de 2009

A primeira vez...

POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.

Saímos da aula às 11:50h. Era o intervalo de um daqueles cursos rápidos de sábado que as pessoas mais atentas se dispõem a fazer. Estávamos satisfeitos com o andamento do curso, sentíamos a comoção de quem se descobre, de repente, um ecologista. As discussões e reflexões sobre meio ambiente e os seus dilemas nos permitiu um olhar mais cuidadoso perante o mundo. Naquele momento, éramos uma só identidade, um princípio, uma causa. E foi possuídos por esse sentimento, que combinamos de almoçar juntos. Afinal, como bons amigos, gostávamos de desfrutar da companhia um do outro. Até esse momento, nada de anormal em nossas vidas, nada que merecesse muita preocupação. No entanto, logo na saída do Edifício Learsing, algo de inesperado aconteceu, uma coisa que nós jamais havíamos cogitado. Uma tragédia? Não! Um milagre. Sem que nós nos déssemos conta, em uma pequena fração de segundo, as nossas mãos se abraçaram, em um movimento quase musical, como se fossem as mãos de um casal intensamente apaixonado. Rapidamente, em um lapso de consciência e de susto, desatamo-nos. Nada de grave nisso, mas, que desencadeou uma série de futuras reações químicas lentas e perigosas, a paixão estava por vir. Silenciosamente, ela foi se incubando e crescendo dentro de nós, assim como na doença os vírus se multiplicam dentro do nosso corpo. Quando descobrimos, era tarde, já estávamos loucamente enamorados. Não havia mais cura, nada mais a fazer. A não ser, entregar-se um ao outro para se contaminarem pelo amor. Só agora nos damos conta, que, para que nos amássemos hoje, foi preciso, simplesmente, tocarmo-nos entre mãos pela primeira vez.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Orgulho de ser Baiano!!!

POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.

Parece até jingle, mas, trata-se apenas do desabafo de um torcedor emocionado. Depois de muitos anos amargando o ostracismo no cenário futebolístico nacional, o Bahia ressurge das cinzas para a elite do Brasileirão. Com um time insinuante e determinado, o tricolor baiano se lança diante dos adversários com ímpeto de campeão. Não há tempo ruim, mando de campo ou torcida adversária. Dentro ou fora de casa, não tem pra ninguém. Até a presente rodada, foram 15 jogos de um invejável aproveitamento. Com 11 vitórias e 4 empates, invicto, o Bahia reina absoluto na liderança do certame de 2012, mantendo 10 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o time do Cruzeiro. Sei que já não temos o Bobô, o Charles ou o Beijoca, mas, atualmente, temos, em termos de equipe o elenco mais qualificado e equilibrado nos três setores de campo. Temos a melhor zaga, o meio campo mais aplicado taticamente e um setor de ataque de dar inveja aos times europeus. Hoje teremos mais uma partida no Pituaçu. Bahia e Palmeiras se enfrentam pela 16ª rodada do campeonato. O Palmeiras, que tenta sair da zona de rebaixamento, vem escalado com 3 atacantes. Melhor para o Bahia, pois, sabemos jogar melhor assim. Agora, a poucos minutos do início da partida, a fila dos ingressos, como já é tradição, está fazendo uma voltinha pelo estádio. Sobre forte calor e o desconforto da espera, a nação tricolor não desanima. Cantaremos “Êta! Bahia porreta” e sairemos do estádio eufóricos com mais uma expressiva vitória. Aqui na nossa casa, adversário não joga, nem dá pitaco. O “Baiaço” está chegando para dar o espetáculo que merecemos. A nossa vibração irá abalar as estruturas do time alvi-verde. Ele não suportarão a nossa pressão por 20 minutos, pois, após isso, show-de-bola com os pés, dentro de campo, e, com as mãos, no “olé” que vamos promover nas arquibancadas. Gritaremos: mais um Baêaaaaaaa!!! O mundo todo sentirá a vibração de uma torcida que ama o seu time, que sente o orgulho de ser baiana e que não arredará o pé do estádio até que a vitória esteja consolidada. Eram cinco e quinze da manhã, quando o relógio despertou. Tudo foi um sonho, um belo sonho. Eu estava encharcado de suor. Parecia que estava correndo sob forte sol na estrada... Vá entender. Com o ventilador ligado, eu não deveria estar tão aquecido e a casa é bastante arejada, de modo que, sobre isso, só tenho duas hipóteses: ou foi uma febre ou foi o ânimo de um torcedor em pleno sono.