sábado, 5 de abril de 2014

Documentário: Lingua: Vidas em português.

Dirigido por Victor Moraes, o Documentário ”Língua: Vidas em Português”, utilizando-se da língua portuguesa como referência, abarca de certa forma sobre o dinamismo da cultura sob a perspectiva da língua.

Lançado no Brasil em 2004, a referida produção fílmica convida os espectadores para uma viagem aos países que fazem uso da língua portuguesa, revelando as semelhanças nos traços dos falares e suas peculiaridades, entre os povos que estão separados geograficamente, mas unidos pela língua.

Semelhanças e particularidades, por assim dizer, que testemunham o traço identitário da língua, bem como, o dinamismo o qual ela se encontra. Nesse sentido, pode-se afirmar que a língua é um ícone que reflete, de certa maneira, o resultado de intercâmbios culturais, com outros povos, com valores distintos, tradições típicas, modos de vidas diferenciados, etc.

Desse modo, conforme se pode perceber no documentário, a multiplicidade circunscrita na unicidade da língua portuguesa, dá-se, muito possivelmente, graças aos acontecimentos históricos que permitiram a efetivação da língua nas relações identitárias dos povos.

Em consequência disso, a Língua Portuguesa, concordando com a fala de Saramago, tornou-se um elo de ligação entre as ex-colônias portuguesas, mas, também um veículo de afirmação da singularidade própria de cada um dos povos.

Saramago, ainda relata, que a língua tem seguido uma tendência de “compactação” no estabelecimento da comunicação entre as pessoas. Exemplifica, afirmando que, talvez um dia voltemos a fase embrionária da língua, na época das cavernas, pois atualmente em uma mensagem são utilizadas menos palavras do que se fosse há duzentos anos atrás.

Em contrapartida, compreende-se que a língua tem, ainda, um papel indispensável na transmissão dos valores culturais e na preservação da tradição. De algum modo, pode-se afirmar, então, que a língua é simultaneamente um combustível para as mudanças e uma espécie de amuleto da tradição. Ao mesmo tempo em que ela dá voz às coisas novas, retira do silêncio os costumes, as crenças e tradições cultivadas ao longo da história.

A língua é livre, por mais que a tentem aprisioná-la! Não defende um lado, em específico; anuncia o passado e o futuro segundo suas particularidades. Enfim, refletir sobre a língua, a partir do referido documentário, é um passo importante para o reconhecimento da complexidade da língua, quanto à identidade e à diversidade que nela se inscrevem e se protagonizam.

REFERÊNCIAS:

Língua: Vidas em Português. Gênero: Documentário. Duração: 105 min. Lançamento (Brasil): 2004. Distribuição: TV Zero e Sambascope. Direção: Victor Lopes. Roteiro: Ulysses Nadrus e Victor Lopes. Produção executiva: Renata Pereira e Suely Weller. Co-produção: TV Zero, Sambascope e Costa do Castelo. Som direto: Paulo Ricardo Nunes. Fotografia: Paulo Violeta. Edição: Piu Gomes, Pedro Bronz e Victor Lopes.










RESUMO: As “linguagens” dos animais.



POR: PAULO ANDRE DOS SANTOS.


De acordo com o autor, os animais há muitos anos são alvos de estudos de pesquisadores. Tal fascínio não se restringiu ao campo científico. Através da produção cultural os seres humanos tem reforçado a crença na possibilidade de "humanização" dos animais. Entretanto, até os dias atuais, nenhuma pesquisa cientifica com animais foi capaz de fazer com que revelassem uma capacidade linguística suficientemente elaborada e complexa ao ponto de equiparar-se aos seres humanos. Desse modo, uma dos paradigmas que tais animais não conseguem superar é a incapacidade de se expressar sobre experiências do passado. Muito menos, sobre o futuro. Entretanto, tal como diz o autor, duas questões podem ser consideradas.  O fato de não alcançar o mesmo desenvolvimento linguístico dos seres humanos, não significa que os animais não articulem mensagens entre si. Outro dado é que o próprio conceito de linguagem é estabelecido segundo critérios arbitrários. É bem verdade, alguns animais tem o dom realizar imitações semelhantes às vocalizações de humanos, mas, isso não é o reflexo de um domínio da linguagem. Sem um estudo mais aprofundado, muitos poderiam dizer que os animais não dominam a linguagem humana em virtude de razões fisiológicas. Isso seria grande equívoco. O que lhes falta, conforme diz o autor, é a capacidade criativa, qualidade específica do ser humano. A exemplo do sistema comunicativo das abelhas, geralmente, os sistemas dos animais são de natureza fixa e inflexível, portanto, muito limitados. Em contrapartida, muitos pesquisadores, ainda nos dias atuais, despendem anos de estudos a fim de desvendar a linguagem dos animais, bem como, de comprovar que alguns deles podem até se tornar capazes de estabelecer uma comunicação com humanos. 

sexta-feira, 4 de abril de 2014

A assinatura e o carimbo.

De todos os ritos que realizamos dentro das instituições públicas, talvez, uma simples assinatura pode ser um pesadelo. São tantos os critérios, tantas são as exigências legais e humanas que uma simples necessidade de se carimbar ou assinar determinado documento, é capaz de fazer soluçar o mais paciente dos cidadãos. Como nossa máquina burocrática é enorme, categoria peso pesado, para executar qualquer movimento. Recentemente, tivemos conhecimento de casos que podem servir como um exemplo mais geral, tal como as obras públicas. Sabe-se que o Brasil foi anunciado como país sede da Copa do mundo faz aproximadamente quatro anos. Hoje faltam pouco mais de dois meses dos jogos. Muitos estádios não estão sequer prontos. Isso ocorreu, em certa proporção, à demora para o início das obras, que só começaram depois de dois anos. Por quê? Por causa da tal máquina burocrática. Somente o processo de licenciamento ambiental (L.A.), pode levar anos. Importante ressaltar que o L.A. é fundamental, mas precisa de um processo avaliativo mais curto e eficaz, enfim, menos burocrático. Outro exemplo que pode ser citado é o dos cartórios. Ir ao cartório é muitas vezes um martírio, somente suportado por quem gosta de sofrer, ou, por quem não tem outra escolha. Em alguns casos, no desespero ou não, as pessoas apelam para o "jeitinho brasileiro", infelizmente. Esse comportamento que é nefasto para a cidadania, encontra,) no descaso do poder público, uma brecha para se afirmar. E aí? Tudo fica negociável. A multa de trânsito, a vaga no estacionamento, o lugar na fila dos hospitais do SUS, a aprovação do aluno na escola, etc. Mesmo com tudo isso, nós enquanto povo, continuamos sentados em nossas velhas cadeiras de balanço.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Quando vender é consequência.

Por: Paulo André dos Santos. No mundo dos negócios, em que a concorrência entre os atores se faz cada vez mais impetuosa e ardilosa, o diferencial entre quem se estabelece e quem desiste do mercado é a qualidade dos produtos que são produzidos. A qualidade de um produto tem precedência sobre o resultado das vendas. É possível vender muito em pouco tempo sem qualidade, mas não se consegue fazer isso por muito tempo. O segredo de uma política de vendas sólida, com resultados duradouros possuir como filosofia central o esforço em realizar todas as expectativas que foram alimentadas para a clientela no ato da venda, a fim de conseguir a plena satisfação. Erroneamente, muitos atores do mundo dos negócios acabam adotando uma política de vendas centrada exclusivamente nos resultados imediatos. Tal perspectiva de negócio, a médio ou longo prazo, muito provavelmente, irá se constituir em um obstáculo entre quem estará querendo vender e quem estará querendo comprar. Para que um negócio se realize, não bastam vendedores e compradores motivados, é preciso haver legitimidade de quem está a vender e confiança de quem está a comprar. Um cliente pode até precisar de um determinado produto, ter dinheiro para comprá-lo, mas somente irá fazê-lo se tiver confiança. Pode ser até que na primeira compra ele assuma o risco, mas na segunda tentativa, se o resultado da primeira for negativo, dificilmente isso irá acontecer. Para colocar em cena outro aspecto, façamos uma breve analogia. Observe nesse caso, caro leitor, o quanto o equilíbrio é importante. Por exemplo, a administração de um antibiótico para o combate de uma determinada patologia. Se a administração é insuficiente, a doença não alcançará a cura. Se, ao contrário, a administração for excessiva, haverá superdosagem e outros problemas mais graves poderão surgir, inclusive o total colapso. Assim também, deverá ser uma boa política de vendas. Administrar requer perícia. Administrar é uma arte. Vale lembrar que o artista, independente do tipo de atuação, muitas vezes faz coisas que não pensávamos que fossem razoavelmente possíveis. Enquanto uma mente altamente racional estabelece sua sentença final, o artista ainda é capaz de criar, ao menos na imaginação, uma nova possibilidade. Por isso, a criatividade é um dos componentes fundamentais de toda boa administração. A criatividade é a pimenta de toda boa estratégia de negócios. Contudo, na administração de negócios, é preciso equilibrar as variáveis a fim de que os números continuem positivos. Coisa que os verdadeiros artistas não estão muito preocupados. Os verdadeiros artistas estão mesmo interessados em realizar-se na arte e pela arte, e nada mais. Por outro lado, esse pensamento não é cem por cento no mundo dos negócios. Nesta seara, o que prevalece é a velha história da relação custo e benefício, da insistência e manter os riscos sob controle, mas... vamos adiante. Imagine agora, caro leitor, se você fosse em uma loja ou em um determinado estabelecimento comercial. Nesse local, motivado pela própria necessidade, você contrata um serviço ou compra um produto qualquer. Muito bem,...Mais adiante você percebe que comprou “gato por lebre”, pois o que foi adquirido não lembra nem de perto o que lhe foi vendido. Diante dessa situação, caro leitor, tenho certeza, considerando que me comunico agora com uma pessoa em pelo gozo da razão, que você não ficaria satisfeito. Afinal, suas expectativas foram frustradas. Para ilustrar melhor isso, vamos ao exemplo do salão de beleza. Suponha que uma mulher vai em um salão de beleza, muito recomendado, inclusive, por uma grande amiga. As referências desse estabelecimento fornecidas pela amiga lhe são as melhores possíveis. Até aí, tudo bem...vamos lá. Tal mulher chega ao estabelecimento cheia de esperanças. Antes de ir ao local pensou cuidadosamente no que iria pedir para ser feito no cabelo. Isso, acreditando que enfim iria dar “aquele plus” no visual. E senta-se na cadeira do salão radiante de felicidade. Muito bem, pois, que passados alguns dias, o cabelo da tal mulher começa a cair aos montes. O que, caro leitor, você acha que ela iria sentir? Como você acha que ela iria reagir? Pois é. Com certeza, a orelha da maquiadora iria coçar muito. E mais, a fofoca iria rolar solta pelo bairro, talvez, até na cidade, dependendo do tamanho. Desse modo, caro leitor, como diz o velho bordão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, “Assim não pode, assim não dá”. Pois é, desse jeito, o negócio não irá prosperar. Não é sustentável vender sem entregar o produto, sem atender integralmente as expectativas do cliente. Acima de tudo, isso não é considerada, geralmente, uma estratégia inteligente. Afinal, como se sabe no mundo dos negócios, um cliente satisfeito atrai, pelo menos, um outro cliente, por recomendação. Por outro lado, um cliente insatisfeito, é capaz de fazer um estrago enorme, com perda significativa de outros potenciais clientes. Dessa maneira, vende bem, quem vende melhor. Vende melhor, quem atende às expectativas dos clientes. E quem atende às expectativas dos clientes, reconhecidamente, faz qualidade. E para quem faz qualidade, vender é uma consequência.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

RESUMO: Uma educação romântica: o conceito de bildung no início do romantismo alemão.

Prima facie, para os representantes do romantismo alemão, a bildung era o sumo bem, o ápice que a humanidade poderia alcançar. A bildung era considerada pelos românticos aquela que deveria ser a mais alta aspiração da humanidade. De acordo com Beiser (p.1), os romanticos defendiam a ideia de que uma república não pode obter êxito se as pessoas não estiverem prontas para ela. Em outras palavras, para que a república se consolide é imprescindível que haja identidade, comunga de crenças, valores e da tradição que caracterizam aquilo que denominam república. Alíás, ao observar a etimologia da palavra república, iremos à origem no latim "res publica", que significa "coisa pública", assim, algo que deve ser partilhado pelas pessoas que compõem esse universo. Mas como estabelecer tal coesão social? Uma saída para esse impasse seria, à luz do pensamento romântico alemão, a bildung. Ou seja, somente através da educação as pessoas consolidariam o conjunto de competências essenciais à sobrevivência da república. Para os românticos, conforme diz Beiser (p.1), "...se as pessoas estão a participar dos assuntos públicos, elas tem de saber os seus verdadeiros interesses e os do Estado coomo um todo, e se eles são cidadãos responsáveis, eles devem ter a virtude e o auto controle para preferir o bem comum sobre os seus interesses privados". Na verdade, o argumento romântico parte de uma ideia herdada de Montesquiéu sentencia que "o princípio da república é a virtude". Em contrapartida, essa ideia sofreu a oposição de Kant, filósofo da época. Para ele, segundo Beiser (p.2), "mesmo em uma nação de demônios, a república seria possível". Por outro lado, diz Beiser (p.2), os românticos responderam a essa crítica argumentando que a "única forma de controle social de uma nação de demônios somente seria possível através da repressão e do autoritarismo. o que seria segundo eles, analogamente, um "leviatã hobbesiano". A sociedade estaria então vivenciando o estado de natureza, onde a força e a astúcia prevaleceria sobre a fraqueza e a debilidade. Assim, não restaria ao Estado outra alternativa para a sobrevivência e desenvolvimento da república a não ser a educação. Nesse sentido, a bildung, enquanto sumo bem, argumentavam os românticos, era a maior realização de um sujeito, a bildung era a supreme self-realization da humanidade. Isso implicava na realização de toda a potência de aprendizagem e do crescimento pessoal dos indivíduos e, por consequência, da "res publica". Segundo a lógica dos românticos, o Estado é um meio e não um fim sem si mesmo. O Estado é o meio ao qual os indivíduos poderiam alcançar a auto-realização. Dito isto de outro modo, seria o fim completo do sujeito, a consumação da existência, o término de uma grande obra. Esse summum bonum, conforme alude Beiser, é a bildung. A bildung, para os românticos, possuía dois objetivos fundamentais: o primeiro, "unificar e desenvolver todos os poderes de um ser humano, estabelecendo todas as suas capacidades diferentes em um todo; o segundo objetivo é o de "desenvolver a individualidade". Nesse último, implica o desenvolvimento de aptidões únicas e disposições peculiares a cada indivíduo. Para isso, conforme Beiser, os românticos elegeram a arte como principal instrumento para desenvolver a bildung. A arte como ferramenta da bildung viabilizaria a educação estética, que teria como finalidade primordial a "libertação do espírito humano", do jugo imposto pela opressão social e pela política. A partir daí, seria possível, de acordo com os românticos, "romantizar os sentidos" e desenvolver o poder de contemplação, primando pelo cultivo da sensibilidade em relação às coisas do mundo, "reunificando o homem consigo mesmo" e com o mundo. Pois como diz Beiser (p.11), "A tarefa do homem moderno era recriar em nível consciente e racional aquela unidade com nós mesmos, com os outros e com a natureza, unidade que havia sido dada para o homem primitivo a um nível ingênuo e intuitivo". Sobre isso, conforme Beiser, os românticos viam na misticismo um elo imprescindível para o desenvolvimento desse processo, o que implicava no reavivamento da religião, não tal como é, mas, como diz os românticos: uma forma específica de contemplação ou percepção do universo. Outro elo fundamental para a bildung, segundo os românticos, era o amor. O amor era o pilar central da ética romântica, pois, conforme Beiser (p.13), "...o poder do amor, na verdade transcende todas as regras morais: enquanto o amor inspira, a lei reprime; enquanto o amor perdoa, a lei pune". REFERÊNCIA: BEISER, Frederick C. Uma educação romântica: o conceito de bildung no início do romantismo alemão.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Meu carro em Ipanema


POR:PAULO ANDRE SANTOS.

Olha, que coisa mais linda, mais cheia de graça.
No seu movimento agita quem passa,
É a coisa mais linda que já se viu passar.

Veja como o seu taçado parece um poema,
Suas curvas perfeitas, quase um teorema.
Um novo conceito, você  vai amar.

Olha, são muitos cavalos de pura violência,
É um dinossauro,  boa resistência.
Tenha muito cuidado para näo estragar.

Veja como ele desliza suave no solo,
Alcança duzentos em piscar de olhos,
Provoca arrepios em quem vê passar.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Na linha de fogo.

No monte, as tropas.
Muitos soldados e suas armas.
Embaixo, homens, mulheres e crianças.
Um pequeno aglomerado de casas.
Quanta angústia entre o medo e o alívio.
Todos fixados na poeira que se aproxima.
Homens em seus cavalos estremeciam o chão,
Apesar de estarem ostentando bandeiras brancas.
POR: PAULO ANDRÉ DOS SANTOS.
*Poema inspirado na obra “A cavalgada das valquírias”, de Richard Wagner.